(Viver)

 

DEIXA A VIDA ME LEVAR, VIDA LEVA EU ...

 

“O tempo corre, o mundo gira e as nossas pegadas se apagam”. Largo logo de início este chavão para celebrizar o que para mim é óbvio: não convém ficar se apegando as pessoas, as coisas e as idéias. Se assim você o fizer, estará na fileira de frente da tristeza, da amargura e da caretice.


Quando me refiro a não se apegar, não quero dizer que não vamos amar, ser solidários e fazer verdadeiras amizades. Mas, assim como tudo na vida, as pessoas que estão ao seu redor estão por ali temporariamente. Os filhos são criados e educados para desbravar o mundo; os pais, naturalmente, perecem em face da marcha inexorável do tempo e cada um sobre a terra tem um quadrante orbital no espaço e no tempo bastante particularizado. O que quero dizer com tudo isso, se ligue e aproveite o máximo para estabelecer o maior número de conexões pessoais, na medida do possível da melhor qualidade e quantidade que puder. Mas torne-as, também, extremamente intercambiáveis, ou seja, não deu certo, desplugue e plugue em outro. Se deu certo, dê reapertos constantes, porém com o torque na medida para não estragar a rosca. Não é tão mecânico e fácil assim, porém é simples assim. Agora, ter habilidade para fazer e manter as conexões, aí já é outro papo.


“Coisas” serem adoradas é uma coisa séria. Tem aqueles que são fissurados por bens materiais, a ponto de adoecer e deixar de viver para obtê-los; outros fazem das “tripas=coração” para ostentar marcas de roupa, fazendo questão de mostrar, sem dizer a que custo: “sou chique bem” e tem até gente que se mata, literalmente, torcendo por um time de futebol, para quem o torcedor em questão é um desprezível desconhecido – ok, estou sendo politicamente incorreto. Pergunto: em troca de que? Resposta: preencher o ego, ou seja, se auto-afirmar e afixar na própria testa para todos notarem: eu sou “o cara” ou “a tal”. Cada um tem seu objetivo nesta vida e faz dela o que bem quiser, mas apesar de todo o livre-arbítrio, convenhamos: quanto esforço desperdiçado. Onde fica a qualidade de vida? Estou longe de seguir os votos de pobreza de São Francisco de Assis, mas costumo sempre me lembrar: “valemos pelo que somos e não pelo que temos!” e não vale viver, apenas, para ter isso e aquilo, já que a dádiva da vida vale muito mais.


E o que dizer das idéias? Não sei bem, mas vejo a minha cabeça e o que tem dentro como um caldeirão, até a boca, sobre uma fornalha, brotando borbulhas numa seqüência e grau completamente caóticos. As idéias de ontem, já foram e respingaram por tudo. Já tiveram o seu momento e fizeram o seu conseqüente “estrago”, agora se enquadram como idéias passadas que valeram pelos ensinamentos. Podem até ter sido boas ou deixado borras cinzentas, mas faz-se mister que dêem espaço para as novas idéias. Por isso, o “bizu” é sempre oxigenar o cérebro, evitando acorrentar-se aos pensamentos pré-concebidos e respeitar, apesar de ter que ponderar, o pessoal dizendo: “mas no meu tempo ...”. O importante mesmo é o fogo sempre em brasas inquietando os neurônios, contanto que a lenha seja ecologicamente correta (valores morais, éticos e o bom-senso das suas idéias).


E daí, é isso! Se fosse reescrever sobre este mesmo assunto, numa outra hora, local e estado de espírito, não teria a mesma linha de pensamento. De forma alguma haveria nisto uma contradição de minha parte, porém seria o resultado das mudanças e transformações da constante evolução ou, talvez, ebulição. Em síntese, hoje, vou encarando a vida como um entra e sai; tendo o coração aberto, o bolso nos conformes e a cabeça escancarada. Procuro não me apegar tanto, todavia aproveito intensamente, mesmo porque a vida é tão curta.

 

"E sou feliz e agradeço - Por tudo que Deus me deu ...". Zeca Pagodinho

 

Mario Câmara - 27/03/2010



Complementos:

Mas tenha cuidado com este tal "próximo", cuide para que não seja um "vampiro".

Vampiros
(texto de Martha Medeiros)

Doe sangue para hospitais. Dê seu sangue por um projeto de vida, por um sonho. Mas não doe para aqueles que sempre, sempre, sempre vão lhe pedir mais e lhe retribuir jamais."


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