(Silêncio)

 

QUEM SERÁ O PRÓXIMO?

 

Faz tempo que não me coloco a disposição do teclado para registrar algum fato ou acontecimento marcante, os quais não deixaram de ocorrer constantemente. Poderia ter escrito algo sobre a queda do boeing da Gol envolvendo os pilotos norte-americanos no Legacy, reeleição do “sapo barbudo”, rixa desmedida das duas principais torcidas de futebol do RS, a galhardia em arreganhar as pernas do Brasil no Mercosul (colocando-se como primo rico) ou sobre as chacinas e atentados diários naquelas bandas do Iraque e Companhia Ltda.


Meu afastamento e desmotivação se deveu a minha avaliação do ínfimo efeito que pobres e insignificantes palavras possam causar. Sem contar, o fato dos olhos que cruzarão por essas linhas serem fruto do mais completo acaso, salvo o da minha esposa que é delicadamente compulsada a fazê-lo. Dos meus tempos da física, diziam que a toda ação é de se esperar uma reação de mesma intensidade e de sentido contrário, reação esta que passei a sentir falta para poder equilibrar e sustentar minha razão de escrever.


Mas uma estupidez me fez sair da inércia e me arriscar a rabiscar mais uma, dentre tantas, cartas de revolta e indignação contra a insensibilidade humana. Estamos anestesiados, entorpecidos e apáticos ao mundo em nossa volta. Achando-nos auto-suficientes, seja pela tecnologia que isola (dentro de casa trancados na frente do computador ou assistindo televisão), seja pela inexistência de limites e/ou falta de parâmetros condizentes que acabam por desnortear, estamos cada vez mais abrindo mão do que a raça humana tem de mais desenvolvido dentre todas as espécies, a sua capacidade de se relacionar. Digo relacionamento concreto, com direito a empatia, cumplicidade e liberdade, e não frivolidades; seja no relacionamento pai&filho, irmão&irmão, médico&paciente, professor&aluno, vendedor&cliente, você&vizinho, trabalhador&companheiros de trabalho, marido&mulher ou eu&você.


O aprender a se relacionar começa do berço e vai até o leito de morte.

Pois então, vejamos algumas perguntas básicas a respeito do seu grau de relacionamento:
1) Seu filho e/ou cônjuge se orgulham do seu trabalho? Ou sua falta de paciência e tempo não permite, nem sequer, pincelar o que você faz ou deixou de fazer, mesmo aos seus mais próximos. Estes, por sua vez, talvez não estejam nem aí para isso, salvo se repercutir no bem-estar deles.
2) Você preza atitudes de respeito, consideração e preocupação para com o próximo sem qualquer exigência de permuta? Você realmente se importa com o próximo?
3) Quantos amigos (as) você de fato tem? Não me refiro a conhecidos ... nem aqueles "malas - sem alça e sem rodinha" ou "vampiros" que só se arrastam, até você, quando precisam de algum favor.
4) Diz aí cara, na moral, você tem a sua consciência tranqüila? Sua relação consigo mesmo anda legal?


Não quero aqui esperar que todos façam o papel de bom moço(a), mas a nossa sociedade está perdida! Cadê a novidade? E, pior, incapaz de enxegar seus próprios erros. Agora para os erro dos outros, somos verdadeiros "experts"! Tratando-se dos outros, é fácil enxergar e chamá-los de monstros, irresponsáveis, egoístas, filhos daquela e, acreditem, tudo mais. Ah, como é fácil!


Os que duraram na leitura até aqui devem estar se perguntando: onde ele quer chegar? Talvez tenha enlouquecido de vez e vai revelar o dia do armagedom.
Que nada ... a estupidez que me motivou foi a covardia contra uma criança chamada João Hélio Fernandes Vieites, de 6 anos. Atrocidade, barbárie e insensibilidade de integrantes de uma sociedade doente e sem sentimento, que, comovida, diante da realidade nua e crua resolveu se debelar, exigindo justiça para um caso hediondo, é verdade, mas que se repete a cada esquina num grau menor de requinte de crueldade (se assim forem consideradas as balas perdidas).


Os “garotos” autores de tamanha, injustificável e imperdoável barbaridade, a muito foram também vitimados (pelos pais, vizinhos, professores e todos nós) por termos petrificado os seus corações, sendo eles estanques a qualquer sentimento de ternura e respeito para com o próximo. E a sociedade por sua vez, também embrutecida, não se satisfaz com nada menos que a pena máxima para estes monstros. Senhores, parabéns, estamos numa roda viva de violência, desconsideração e maldade de uns para com os outros.


Pois então, me posiciono pelo perdão? NÃO, de jeito nenhum, tem que pagar e que paguem caro pelo que fizeram ... PAU NELES.

Agora, minha preocupação é: até quando, TODOS NÓS poderemos pagar? Conseguiremos sobreviver nesse mundo? É preciso armagedon?

 

"Amar o próximo ... como a ti mesmo". Texto bíblico

 

Mario Câmara - 04/03/2007



Complementos:

Mas tenha cuidado com este tal "próximo", cuide para que não seja um "vampiro".

Vampiros
(texto de Martha Medeiros)

"Eu não acredito em gnomos. Eu não acredito em gnomos ou duendes, mas vampiros existem. Fique ligado, eles podem estar numa sala de bate-papo virtual, no balcão de um bar, no estacionamento de um shopping. Vampiros e vampiras aproximam-se com uma conversa fiada, pedem seu telefone, ligam no outro dia, convidam para um cinema. Quando você menos espera, está entregando a eles seu rico pescocinho e mais. Este "mais" você vai acabar descobrindo o que é com o tempo.

Vampiros tratam você muito bem, têm muita cultura, presença de espírito e conhecimento da vida. Você fica certo que conheceu uma pessoa especial. Custa a se dar conta de que eles são vampiros, já que aparentemente parecem gente. Até que começam a sugar você. Sugam todinho o seu amor, sugam sua confiança, sugam sua tolerância, sugam sua fé, sugam seu tempo, sugam suas ilusões. Vampiros deixam você murchinha, chupam até a última gota. Um belo dia você descobre que nunca recebeu nada em troca, que amou pelos dois, que foi sempre um ombro amigo, que sempre esteve à disposição, e sofreu tão solitariamente que hoje se encontra aí, mais carniça do que carne.

Esta é uma historinha de terror que se repete ano após ano, por séculos. Relações vampirescas: o morcegão surge com uma carinha de fome e cansaço, como se não tivesse dormido a noite toda, e você se oferece para uma conversa, um abraço, uma força. Aí ele se revitaliza e até bate as asinhas. Acontece em São Paulo, Manaus, Recife, Florianópolis, em todo lugar, não só na Transilvânia. E ocorre também entre amigos, entre colegas de trabalho, entre familiares, não só nas relações de amor.

Doe sangue para hospitais. Dê seu sangue por um projeto de vida, por um sonho. Mas não doe para aqueles que sempre, sempre, sempre vão lhe pedir mais e lhe retribuir jamais."


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