Sobre Mario Câmara

Lema: "Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito." Martin Luther King Jr.

Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do RJ

Tive um “avô emprestado” (Sr. Sebastião – por parte da família da esposa), pessoa generosa em ouvir e sábia no falar, que diante de argumentos descabidos ou colocações injuriosas numa conversa, não relutava em retrucar, largando sua celebre frase: “perdestes uma boa oportunidade de ficar calado”.  O desafortunado, alvo da ralhada, literalmente, sentia-se esbofeteado no pé da orelha e ainda tinha que tolerar ser mangado por um bom tempo.

Devido a esta postura, pelo menos na presença do nono, todos se policiavam no que dizer.  Assim sendo, “muita calma e caldo de ervilha” nesta hora, tem ancião verde-oliva lendo.

Vou discorrer o assunto em epígrafe sob duas perspectivas: (i) de dentro do tabuleiro, sentindo o problema na pele (comprometido); e (ii) como mero expectador; apostando, seja contra ou a favor, pra ver o resultado (envolvido).

Já que mencionei um tabuleiro, tal como um campo de batalha, temos a sociedade brasileira como a peça mais importante do jogo de xadrez, a ser defendida a todo custo. Com o advento da Intervenção Federal tem-se a ascensão das Forças Armadas, de peão de manobra para outro patamar, cuja adequabilidade e operacionalidade ainda não temos condições de mensurar.

O fato é que diante das derrotas, sucessivas mostras de ineficácia e ineficiência, não restou alternativa, senão mudar a estratégia. Para que não tenhamos mais do mesmo, o jogo a ser jogado deverá ser outro.

Pasmo-me por ter a impressão de que passam desapercebidas algumas sinalizações, por parte das autoridades, a cerca da gravidade do “quadro clínico” da segurança pública.  Senhores, uma metástase não se resolve ministrando xarope ou pastilha de menta; muito pelo contrário, a medicação é pesada e cruel, sujeita o organismo a significativos efeitos colaterais e, ainda, para garantir a efetividade do tratamento, é fortemente recomendável que haja a extirpação das células cancerígenas para evitar rebote. Mais claro… só desenhando!

Os efeitos colaterais não serão brincadeira, trazendo sérias implicações, inclusive, no sentido de defender a sociedade de si própria. O combate ao tráfico de drogas, obviamente, impactará o “fiel” mercado consumidor; dificultando a vida daquela galerinha que busca um baseado no pé do morro. As necessárias barreiras policiais para separar o “joio do trigo”, indubitavelmente, dificultarão a movimentação e mobilidade da população. “Cacete” (xingamento mesmo), eu disse que teria calma: como atuar como polícia sem ter poder de polícia? E, é claro, resgatar o poder de mando e autoridade exige algumas medidas drásticas e coercitivas; em contraponto a esta atual permissividade desmedida e impunidade irrestrita, que faz brotar gerações sem noções de respeito e limite.

As Forças Armadas assumirão o papel de protagonistas num velho cenário, tendo credenciais da pacificação do Haiti e das operações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Infelizmente, apesar da vontade férrea dos militares para cumprir a missão, a complexidade da situação e a falta de comprometimento de importantes atores causa-me incredulidade. Lado bom e ruim da história, o povo brasileiro não sabe o que é guerra e perde batalhas, até mesmo, ao enfrentar mosquitos.

Pois então, começo a segunda perspectiva, referindo-me as autoridades envolvidas; observem bem, envolvidas. Faltarão lavabos para os inúmeros Pôncios Pilatos nesta história. Há enorme escassez, para não dizer que não existem mais valores pétreos em nossa sociedade, dentre os quais: coragem moral, sentimento pátrio e interesse pelo próximo. Pelo amor de Deus, os próximos não são os “coitadinhos dos marginais”, segundo alguns sem noção, pobres vítimas da sociedade.

Serão necessárias adequações estruturais – leis e processos (mudanças e transformações), participação da sociedade na luta (colaboração e compreensão) e sincero senso do bem comum (sacrifícios e recursos). Com este bando de governantes que colocamos no poder, não há condições de apostar em tudo isso, pela mais absoluta falta de bons exemplos dos “mandatários”. Devido aos maus antecedentes desse balaio de gatunos, indiferente que sejam de direita ou esquerda, cabe desconfiar de uma mirabolante manobra política.

Objetivamente, para concluir, rezo fervorosamente pela “ordem e progresso”, porém, sem aprofundar muito, não acredito que sejamos merecedores deste milagre. Neste desfecho, gostaria muito de estar equivocado e fazer jus a reprimenda do vô Sebastião.


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Foi bom enquanto durou…

Palavras de despedida na Passagem de Chefia do 1º Centro de Telemática de Área (29 Jan 18).

Exmo Sr Gen Leal Pujol – Comandante Militar do Sul, autoridade em nome do qual reverencio e cumprimento todas as autoridades citadas no protocolo e, antecipo minhas excusas e conto com a gentileza da compreensão, caso tenhamos ocorrido em equívocos no protocolo. Comandantes/Chefes/Diretores de OM, militares presentes e nossos amigos civis, sejam bem-vindos. Abarcando todos, senhoras e senhores convidados que abrilhantam nossa cerimônia, agradeço-lhes imensamente a presença.

Bem, começarei minhas palavras fazendo uma propaganda institucional do 1º CTA.

Para fazê-lo seguirei o seguinte sumário: (i) arar o terreno (Planejar); (ii) semear (Desenvolver/Executar/ Dirigir); (iii) cuidar do plantio (Conferir/Checar/Verificar); e (iv) colher os frutos (Alavancar/Ajustar/Atuar/Agir). É sério! (“não peguei o papel errado não”). É interessante que se conheça um pouco melhor o 1º Centro de Telemática de Área.

Arar o terreno geralmente é um trabalho deveras árduo. Mas, do que se trata “arar o terreno” na área de Tecnologia da Informação e Comunicações (vulgo TIC)? Em parte, é fazer com que as 113 OM que apoiamos, no estado do RS, tenham conhecimento límpido e claro de nossa incumbência (1º CTA), demandando-nos serviços alinhados com o nosso Catálogo de Serviços. O Catálogo de Serviços nos ensina a ser acertivos: “fazer o que tem que ser feito e fazê-lo bem-feito”. Ainda, na servidão de “arar o terreno”, este mister envolve tecnologia e inovação na busca da composição perfeita da solo para o respectivo cultivo. Ao citar composição, destaco que as Seções de Informática de cada OM são como nossos insumos para o enriquecimento do solo; assim sendo, aquelas OM que não dispõem de uma equipe de informática constituída representam solo débil; estando sujeitas a baixa produtividade e as “pragas” de TIC.

Semear é investir/acreditar no solo. Eis o passo essencial para o milagre da multiplicação. E, ao nos referirmos aos Centros de Telemática, o milagre se dá quando se conecta o ponto “A” ao ponto “B”, seja para comunicação por voz, vídeo ou transmissão de dados. O semear requer conhecimento e prática e, para tanto, dispomos de um time altamente especializado na arte de conectar. Caro amigo TC Saulo a sua frente estão perfilados, uma parte dos 135 melhores profissionais militares da área de Tecnologia da Informação e Comunicações da região dos pampas.

Cuidar do plantio é custeio. Representa o emprego de recursos: humanos, financeiros, materiais, equipamentos e tempo. Este é o nosso trabalho silente e diário, no cuidado para manter operacionais às Redes Metropolitanas, as centrais telefônicas e os ramais RITEx funcionando, nossas 28 (vinte e oito) Redes Rádio Fixa Seccionais falando, o antivírus corporativo instalado nos 5.500 computadores de nossas OM, a disponibilidade das páginas e sistemas hospedados em nossos servidores. Eis a nossa capina diária e escamoteada (sem ninguém ver). Falo escamoteada, pois cabe-nos muito bem o slogan do EB que diz: “você pode não ver, mas estamos sempre presentes!”, em razão das torres, equipamentos rádios, fibras ópticas, roteadores, centrais telefônicas que temos espalhados pelo Rio Grande e, constantemente, monitorados.

Por fim, a “colheta”. Colher os frutos é a bênção de Deus ao trabalho realizado, depois de arar, semear e cuidar; simples assim. Portanto, sendo uma bênção, resta agradecer em júbilo, cônscio que o resultado do trabalho é o conjugado de uma infinidade de fatores, em que perseverou a convicção de propósitos, a confiança depositada pelos nossos superiores hierárquicos e o espírito de corpo do Centro de Telemática. Ter sido Chefe do 1º CTA foi para mim uma missão bela, honrosa, desafiadora e, ainda, me rendeu sabedoria para constantemente perseguir as servidões: “arar, semear, cuidar e colher”.

Feita a propaganda, poderia ter discorrido este mesmo roteiro, referindo-me ao ciclo PDCA – Planejar, Desenvolver, Checar e Ajustar; mas perderia a parábola e a ferramenta da palavra para “afofar o solo para o iniciar dos trabalhos do meu sucessor”.

Caro amigo TC Saulo, Rosimar e família (filhos: Juliana, Lucas e Henrique), sejam muito bem-vindos. Apenas uma recomendação, cuidado que o Rio Grande tem o poder de abduzir forasteiros. Fiquem de olho nos primeiros sintomas de estarem se aquerenciando, são três: (i) começar a gostar de chimarrão; (ii) passar a ouvir música do Mano Lima; e (iii) ir assistir ao show do guri de Uruguaiana.

Um breve adendo nesta cerimônia, em ato único e contínuo, despeço-me do 1º CTA e da honra de envergar a farda verde-oliva do meu querido EB, uma vez transferido, a pedido, para a reserva remunerada, com a alegria inerente daquele que tem consciência de ter cumprido com a sua missão, da melhor maneira possível, consoante minhas limitações. Sinto um turbilhão de emoções, mas sou um otimista irrecuperável e creio mais no “até logo” do que no “adeus”. Nestes dias modernos, estamos acessíveis ao estalar dos dedos (ou seria um clicar de botão): pelo celular, EBCloudEBMail (***[email protected]), EBChat (Gen Lobo, não citarei o nome daquele aplicativo concorrente) e, fisicamente, estaremos próximos de PoA, pois fixaremos residência em Caxias do Sul.

Antes dos agradecimentos finais, declaro em público meu amor incondicional aquela menina de vestido estampado, que se chama Rosaura, que prefere ser chamada de Neca e que eu chamo de “minha preta”. Sem ela do meu lado, eu perderia o rumo.

Muito obrigado aos meus chefes operacionais (antigos e atuais) (Gen Leal Pujol, Gen Mourão, Gen Stumpf, Gen Bassolli, Gen Penteado, Gen Bandeira e Cel Da Silva), aos chefes do CITEx pelas fundamentais orientações técnicas e profissionais (Gen Decílio e Gen Lobo – que presidirá a transmissão do cargo), ao Ordenador de Despesas do CMS – Cel Marcelo, aos Cmt/Ch/Dir de OM (todos… braços fortes e mãos amigas), aos chefes de Seções do Cmdo CMS e da 3ª RM, aos meus “braços direito e esquerdo” durante o período de chefia no 1º CTA (Cel Furrer – Subchefe e TC João – Assuntos Diversos), a cada integrante do 1º CTA (essa equipe maravilhosa – sempre a surpreender, superando muitas e muitas vezes, minhas expectativas) e a todos que direta ou indiretamente contribuíram no cumprimento de nossa missão.

Termino com o nosso lema: “conectar as Organizações Militares do CMS, sediadas no Rio Grande do Sul.”

1º CTA: Aço… Brasil!

Qual a diferença entre Defesa Nacional e Segurança Pública?

Devaneio… “gentem, fazendo favor né”, não precisa fazer um estudo etimológico sobre o tema. Tá claro, “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”. “Eis-me aqui, digníssimo, e pode perguntar, porque comigo pau é pau, pedra é pedra. Se sei, digo que sei; se não sei, digo que não sei e pronto!”11_29_06_259_file

Vamos aquecer os neurônios com o bê-á-bá! Diante de uma adversidade, tá pegando, procurar um “elefante” ou um “hipopótamo”? Com certeza… depende!? “Pera aí, menino!” Vou simplificar mais ainda, quando você está: (i) com dor de dente, você procura o ______; (ii) se for dor de barriga você procura o ______. “Eu queria ter um filho assim!”. [Ops… respostas no rodapé …. sério!]

Já aquecidos, caso esteja difícil elucidar as respostas a respeito do título deste texto, a seguir vai uma colinha. “Colinha” boa só tem a ideia força (“vapt-vupt”), o floreio fica por conta dos Rolando Lero.

“Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

§ 1º – Lei complementar estabelecerá as normas gerais a serem adotadas na organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas.

§ 2º – Não caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares militares.”

Na Constituição Federal de 1988, aquela originalíssima, era isso. Atualmente, a CF virou uma colcha de retalhos. Neste ínterim, vieram as chorumelas. “Não complica, explica!” As autoridades “competentes” se viram em cheque por conta de mazelas das Instituições de Segurança Pública (ISP) e deu-se à luz as Leis Complementares (LC 97/1999  e LC 136/2010), concebidas assim, “de coração, sem o menor interesse…”

Quanto às mazelas das ISP, pensei: “por que contar, por que não contar?” Não quero levar um zero, portanto: “Mooorreu?” Mas também não almejo a nota dez, por conta da cereja do bolo que vou colocar: “E o salário das Forças Armadas? Ó!”

Ah, para fazer justiça: mazelas, as Forças Armadas também as tem, é claro!

Endiabrado, fico pasmo com o abismo existencial entre estas duas espécimes institucionais (Defesa Nacional x Segurança Pública) que muita gente boa não enxerga ou, mesmo dando com o dedo do meio naquele olho alheio, malandro faz questão de não querer enxergar.

Apenas a título de informação, a grande família da Segurança Pública no Brasil é constituída pelas seguintes instituições: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Polícias Civis, Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares. Parentes consanguíneos: Força Nacional e Guardas Municipais. Renegados: milícias. Esquecendo alguém, complemento a posterior.

Enquanto isso os lesados (vamos vestir a carapuça meu povo), que são os mais afetados pelas idiossincrasias da Defesa&Segurança, apesar de só levarem com a vara na cabeça,  não estão nem aí. Ficam “só pensando naquilo”:  “sambarilove”.

Ôps voltei à razão! Complicado tratar assunto tão delicado na base da brincadeira; mas pra bom entendedor, meia palavra basta!  Longe de mim a pretensão de responder; tão somente instigá-lo, meu caro leitor. A imagem e os bordões [minha homenagem à Escolinha do Professor Raimundo] que acompanham o texto; serviram, tão somente, de inspiração e devaneio para este velho soldado lançar pétalas ao vento ou, sem viadagem, merda no ventilador.

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento de sua vida, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos” – Charles Chaplin

[Respostas: (i) dentista; (ii) médico]

Terra Brasilis… de mal a pior.

ÊTA porqueira… ando meio afastado da escrita, mas diante de tanta baixaria tenho que botar uns palavrões pra fora.fudidos

Todos nós, sejamos “coxinhas” ou “petralhas”, temos a percepção que estamos num momento de colapso político, econômico e moral; é fato: o Brasil está indo de mal a pior. Pasmem, por estranho que possa parecer, este não é o problema maior. O “x” da questão está na incapacidade de se vislumbrar uma escapatória que se possa dizer, minimamente, digna. As alternativas de assunção do poder são péssimas. É cada um por si e Deus por todos.

A podridão que se entranhou em nossa sociedade chegou a tal ponto, que perdemos a capacidade de discernir entre o certo e o errado. Os valores são meros verbetes da “boca pra fora”, aplicados tão somente para ludibriar os incautos. Os que pregam a igualdade social são os primeiros a prevaricarem na partilha, locupletando-se. As pessoas estão tomadas pela insensatez da “causa” acima de tudo e não há evidências que lhes façam recobrar a razão. Apesar de discordar, passo a entender o raciocínio torpe da “banda podre”, onde para atingir o fim, justificam-se os meios, sejam quais forem: corrupção, mentira, “pedaladas”, apadrinhamentos, incompetência, etc. Fomos infectados pela “cegueira da insensatez”; pior, com obtusos de todos os lados.

Neste cenário de caos, é cada um tentando defender o seu quinhão; enquanto caminhamos de roldão, sem perceber, para a queda abissal. Na luta pela sobrevivência o que vale é o dia de amanhã, a ser conquistado com unhas e dentes. O que vem mais pra frente está completamente indefinido, não cabendo espaço na pauta. Portanto, desprovidos da sobriedade para planejar a médio e longo prazo, vamos rumando ao sabor do vento, ao Deus dará.

O necessário alinhamento político não se faz sem um plano de governo sério e decente, que nunca mais se percebeu existir desde o período neoliberal e não sei se um dia voltará a existir, em face dos tamanhos conchavos e acordos que apodrecem o Estado-Nação. A fundamental guinada econômica não se dá sem um setor produtivo aguerrido, confiante, inovador e carreador de divisas, que não venda a própria alma ao poder público em troca de benesses de toda espécime. O imprescindível amadurecimento moral, ético e cultural da nossa sociedade, não vai acontecer da noite para o dia, valendo-se de meros chavões populistas como “A Pátria Educadora” ou assistencialismos interesseiros e corrompidos como os programas “Bolsa Família” e “Minha Casa, Minha Vida” (sumidouros do dinheiro público).

Compatriotas, apesar de sermos filhos que não fogem a luta, não temos sequer uma faísca no final do túnel, “tamu tudu nu breu”.

Em síntese e muito objetivamente, eu avisei que ia xingar: brasileiros e brasileiras, sejam contra ou a favor do impeachment, estamos TODOS na merda!

“O problema não é o problema – o problema é a atitude com relação ao problema.” – Kelly Young

Espasmos de inspiração – Teclado apaixonado

Belas_formas

Saudade

Saudade é similar à fome, brota de um vazio que se instala, chegando a causar dor visceral. Ameniza-se com petiscos que são os pensamentos delirantes. Só passa quando se alimenta com a presença da pessoa amada. Estou faminto de você… meu doce de coco.


Desobediência do amor

Peça-me o que for que eu faço; menos uma coisa: esquecer-te.


Céu na Terra

Do seu brilho emanam meus momentos contemplativos. Quando as nuvens dispersam, coloco-me a procurar a constelação do Cruzeiro do Sul e, em especial, a minha estrela Mimosa. És um astro de luz, sendo o meu maior deleite vagar entorpecido em sua órbita existencial.


Paraíso

Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e sentimentos secretos; que só se transforma em paraíso com você por perto.


Impróprias para menores

– Nestas noites de calor fico a imaginá-la na cama em sumárias vestes.

– A fugaz troca de olhares tira-me o firmamento, deleitar-me no seu bojo atirar-me-á no olimpo.

– Se acordo pensando ter descoberto o paraíso, é porque sonhei com você.

Respeito – Simples assim!

Diz aí meu camarada… você é a favor ou contra? Coluna do meio não vale!Respeito

Sinto uma atmosfera de opressão para que tomemos partido: extrema direita ou extrema esquerda, liberdade de expressão ou tolerância religiosa, soberania nacional ou direitos humanos.

Não nos deixemos levar pelo extremismo e pratiquemos o exercício da empatia, tanto para um lado quanto para o outro. Toda moeda tem dois lados e, prestem atenção, andam querendo viciar o resultado. Não existe gabarito, pare e reflita!

Não é à toa a sapiência do ditado “política, religião e futebol não se discutem”, uma vez que lista assuntos cuja carga emocional inviabiliza o diálogo racional. Pois é… Charlie Hebdo, tem jornaleco que se acha no direito de entrar nestas searas, tão somente, para difamar, zombar e satirizar os dogmas e as convicções alheias, o que se trata da mais pura grosseria. É trivial do berço: respeitar para ser respeitado.

Do outro lado os que sofreram “bullying”, coisa que não é legal, em especial, quando é consigo. Quando é com os outros, pode! Sucessivas ofensas foram martelando, ferindo a alma, tornando-se uma metástase moral até que explodiu e, pelo visto, continuará explodindo. Abram os olhos – todos os olhos, os extremistas estão à solta. É claro, sou totalmente contrário e lastimo os atentados; mas é natural, quem planta intolerância e desrespeito não vai colher coisa boa.

Tanto um lado quanto o outro foram execráveis, sendo um crime hediondo o desrespeito à vida humana na cultura ocidental e inconcebível o desrespeito à Maomé na cultura muçulmana, cada qual com a sua escala de valores . Ambos foram desrespeitosos, ao bel sabor da balança, uns mais outros menos. Mas o pior é que nenhuma medida está sendo tomada para remediar a situação; estão sim, atiçando a fogueira. Não vejo uma busca pelo caminho do meio – equilíbrio –  e para finalizar a conversa: respeito, bom senso e vergonha na cara não fazem mal a ninguém.

Gestão do Conhecimento – E daí?

Pirâmide_Conhecimento_siteLi e ando lendo uma série de títulos sobre gestão do conhecimento e admito ter chegado ao mais absoluto caos informacional. A situação se agrava pelo fato de estar, em paralelo, tentando transformar esta gama de teorias numa construção prática que se sustente.

Portanto, muito calma nesta hora para não meter os pés pelas mãos. Primeira coisa para não se perder no raciocínio é manter o foco – representar o baluarte do conhecimento. Quais são os fatores fundamentais para a sustentabilidade da gestão do conhecimento: (i) pessoascolaborar com os seus bens mais preciosos (persistência, competências e criatividade); (ii) processos – implementar o compartilhamento de informações; (iii) tecnologia – facilitar o acesso (consulta) a informação. Estes fatores são consagrados como os três pilares da gestão do conhecimento.

Não existe nada mais intrigado e misterioso do que o pensamento humano. E, justamente, fruto de tamanha complexidade é que brotam ideias inovadoras e mirabolantes, tanto para o bem quanto para o mal. O fato é que por conta do perfil comportamental das pessoas, por vezes deficitário de entusiasmo, comprometimento, autoestima e perspectivas, inibe-se o aproveitamento do capital humano e, consequentemente, há a perda do pensamento criativo em prol da organização. Para contornar tal situação, faz necessário o contágio de mentes e almas, sempre se lembrando de levar em consideração a sapiência da lógica oriental: primeiro obedeça (Shu), depois entenda os porquês (Ha); e só depois comece a inventar (Ri).

Os processos se tornaram criaturas abomináveis, depois de sequenciais iniciativas sem resultados palpáveis; pelo menos, segundo a minha percepção. Deparamo-nos com um bombardeio de práticas de qualidade (5S, Kaizen, seis sigmas, PDCA, normas ISO, COBIT, ITIL) todas pregando a mesma reza (promover a melhoria dos processos), mas nada de experienciar o milagre. Tamanho descrédito associado à cultura arraigada, apesar de ultrapassada, de monopolizar a informação, denota a dificuldade de se implementar o mapeamento de processos, cuja importância é vital: ter organizado e sistematizado o trabalho.

Além de evidenciar o incremento do número dos sentidos humanos, a saber: tato, paladar, olfato, audição e visão; a tecnologia veio para aguçar o sexto e o sétimo sentidos, completando sete que é a ordem natural do universo. Forçando um pouco a amizade, revelo que os dois “novos sentidos” tem tudo a ver com o que estamos fazendo aqui neste momento, nos comunicando, transmitindo ideias, trabalhando a informação, fazendo fluir o nosso pensamento, enfim, sensibilizando: a percepção e a compreensão humana. Sem os avanços tecnológicos, sejam na área de transporte, informação, comunicações, etc., a nossa percepção e compreensão de mundo seriam completamente diferentes. Portanto, nossa concepção do mundo globalizado se deve as facilidades promovidas pela tecnologia e se consubstanciam num caminho sem volta para a humanidade.

Bem, um conjunto de pilares que se preze deve servir para sustentar alguma estrutura; no nosso caso, temos em haver a pirâmide do conhecimento, composta de quatro camadas: (i) dados; (ii) informação; (iii) conhecimento + ação; e (iv) resultado. Há outras leituras que optam pela sabedoria no ápice da pirâmide, mas prefiro a objetividade do resultado.

De “bate pronto”, os dados são todas as observáveis captadas e quantificadas de uma determinada entidade do mundo real, depois de submetida a um modelo de representação simbólica. [universo de observações]

A informação é caracterizada pelos dados investidos de relevância, propósito e significado para um contexto específico. [quem, o quê, quando e onde?]

O conhecimento é inerente ao ser humano e indissociável da ação, que conferem significado (consistência) e praticidade (fluidez) a informação que se potencializa (dá-lhe Einstein: E=m.c2). [como?] Há ainda uma subdivisão do conhecimento, que pode ser: (i) explícito – quando o conhecimento é facilmente mapeado e passível de ser aprendido por terceiros; e (ii) tácito – refere-se ao conhecimento pessoal, calcado em experiências com insumos subjetivos.

No topo, temos o resultado que é o suprassumo ou o fruto do trabalho exequível, em face do atual grau de maturidade.

E daí, pra que serve isso? Vou concluir e resumir todo este falatório numa simplória tabela que retrata a pirâmide do conhecimento aplicada a cenários esdrúxulos do nosso dia-a-dia, de forma a comprovar sua aplicabilidade e reforçar o ditado: “nada se cria, tudo se copia”.

Cenário (objetivo) Dados [mundo real] Informações [quem, o quê, quando e onde?] Conhecimento [como?] Resultado [E daí?]
Cozinha (preparar refeição) – Itens da dispensa

– Utensílios

– Eletrodomésticos

– Juntada dos ingredientes e meios necessários para o preparo do prato Mão na massa (seguir a receita e acrescentar pitadas de subjetividade) – Refeição (muito boa, satisfatória ou passível de melhoria).
Festa (boa companhia) – Pessoas

– Luzes

– Bebidas

– Música

– Espaços

– Levantar afinidades da parceria Mão na massa (seguir o instinto e acrescentar nuances de subjetividade) – Toco;

– Uma noitada; ou

– Felizes para sempre.

Eis singela colaboração, sob uma perspectiva singular, do que entendo e consigo explicitar sobre gestão do conhecimento. Ficou faltando uma liga entre os pilares e a pirâmide, assim como o baluarte ficou sem fundação. Porém, sabemos, o processo de construção e melhoria continua faz parte da elaboração do conhecimento, sempre contando com o compartilhamento, colaboração e consulta de todos.

“Pense como um homem de ação e aja como um homem de pensamento.” – Henri Louis Bergson (filósofo francês)

Eleições 2014 – Vai ou racha

Eleições_2014Tempos de pouco “acolherar” palavras neste blog. Mas como fazer frente aos espetáculos televisivos, onde freneticamente se assiste aos golpes baixos do MMA eleitoral, que tão bem representa o cenário das eleições 2014. Pelo menos temos que admitir a evolução das promessas utópicas para a objetividade do “fura olho”; com vantagem para os políticos, é claro, visto se eximirem de obrigações futuras.

Dentro em breve estará aberta a contagem nas famigeradas urnas eletrônicas, sempre alvos de desconfianças. Antes disso, fomos bombardeados por pesquisas eleitorais que parecem ser mais incertas que as previsões do tempo, com o senão de piorar a assertiva com a proximidade do veredito derradeiro. Outro ingrediente picante será o pós-resultado. Caso a candidatura que for preterida seja da situação, seu modus operandi aponta a adoção da tática da terra arrasada em seu desfecho. Caso mantenha-se o manche nas mesmas mãos, há tempestades que virão com intensidade majorada por ter sido o mal represado.

Comecei a escrever estas linhas com o intuito de não revelar minha inclinação, passando por deslizes no parágrafo anterior. Já nas redes sociais, que se tornaram paredes de pichação para a desconstrução dos candidatos à presidência, os quais foram desmoralizados sem perdão, mantive-me neutro, até então. Das acusações e escoriações, concluo que de “santinho” não tem ninguém e ter “peninha” não lhes cabe; e, mais ainda, diante de tudo que foi veiculado, vejo-me reescrevendo o não tão sábio ditado: “o povo aumenta, mas ‘também’ inventa”.

Porém, fui alquebrado de minha resistência depois do último embate. Não me contive e postei um comentário – putz… que pecado – , após a resposta da Sra. Dilma ao questionamento de uma indecisa (economista desempregada), sugerindo-lhe que faça um curso do SENAI para obter emprego. Poxa, ofensa entre eles (candidatos)… tá tudo bem, afinal quem está na chuva é para se molhar. Mas ofender a sociedade brasileira; seja num debate, seja despejando dinheiro em Cuba ou dando fiasco em relações políticas externas (lembram-se do episódio da ONU – negociação com terroristas) passa do limite do ridículo. Como esta senhora, visivelmente despreparada e esclerosada, pode continuar representando nossa nação?

Mas, vejo que muita gente não se importa em passar vexame e é bom que seja assim, pois será mais fácil assimilar o golpe das urnas. Assumindo a oposição, não tem jeito, vai dar muito desemprego, por conta dos favorecidos em cargos públicos que irão para o olho da rua. Mas PeTralhas, não se preocupem não, se Deus quiser e ele há de querer, vocês poderão dispor do SENAI-PRONATEC, do Bolsa-Família, da Minha Casa – Minha Vida e do SUS para sobreviverem.

Vexame – Copa do Mundo 2014

vexame_copaBrasil 1 x 7 Alemanha, placar no jogo da semifinal da Copa do Mundo de Futebol 2014. Quanto a ser uma partida de futebol memorável, concordo; mas sustento minha opinião quanto ao feito marcante. Nunca na história da Copa se teve um placar tão benevolente, por parte de um time superior que abdicou de jogar para não humilhar seu adversário, mais ainda.
Tá legal (no imaginário) pensaram os alemães… como o anfitrião deseja o Hexa, então façamos o placar de 6 x 0 e ficamos todos felizes. Como a “seleção” brasileira facilitou por demais, saiu mais um gol – meio sem querer – que foi, por clemência, devolvido para arredondar a conta. Poderiam ser nove ou dez gols favoráveis, porém os alemães estavam convictos no tamanho relativo da trapizonga.
Bem, se por um lado os alemães foram tão generosos na medida da goleada de presente, fomos inocentes – como sempre – por acreditar em papai Noel, mesmo fora de época. Ô povinho para ter fé inquebrantável, mesmo diante da óbvia realidade. Os três primeiros jogos foram deploráveis, no entanto acreditávamos num crescimento, entrosamento e amadurecimento da “seleção” no decorrer da competição. Contra o Chile entramos em campo com cagaço, onde já se viu? No jogo da Colômbia tivemos as graças de Deus, que forçou o travessão pra baixo, e do goleiro milagreiro. O que poderíamos esperar ao nos depararmos com uma seleção na verdadeira concepção da palavra? Um vareio… é claro!
Procurar um Cristo é perda de tempo. Uma seleção é uma aurora boreal que forma um leque harmonioso de brilho e de cores que não ocorre ao acaso, reluz após muito sangue, suor e lágrimas empenhados. Já nossa “seleção” nunca teve identidade com o povo brasileiro e seu brilho se restringia a uma estrela solitária, ofuscada por nuvens nada passageiras que com o tempo não se foram; aliás, se espessaram. Para explicar o fiasco, pode escolher: (i) o sábio ditado “pior cego é aquele que não quer enxergar!” ou (ii) as fantasiosas teorias conspiratórias.
Outro ingrediente diferencial da nossa “seleção” foi a fixação daquele que “gosta de cavalos pangarés”, que depois do fato consumado, assumiu a culpa. Tarde demais!
Mundo que gira, página virada e, resta-nos, partir para o próximo desafio, em um campo de batalha mais sério. Por favor, não estou falando do jogo secundário da final, cujo resultado é líquido e certo: germanos holandeses na cabeça.
É hora de esquecer o pão e o circo, tirando algum ensinamento do vexame para darmos uma volta por cima, levando à sério aquilo que realmente interessa. De preferência pessoal, sem miragem coletiva e com civismo responsável.

Depois do tropeço na ilusão, vamos abrir os olhos e cair na real!

Cartel – Prática do Desporto de Orientação

Senhores,

orientação_esporteÉ com pesar que constato no que virou o salutar desporto de orientação, para o qual antes bastava o mapa, a bússola e pura vontade . Conseguiram afastar os iniciantes e curiosos, diante de exigências de afiliações a clubes, anuidades FGO, técnico responsável, enquadramentos em categorias e tantas barreiras que acabam por desestimular qualquer entusiasta. Além do desejável espírito desafiador na pista, agora se impõe uma via crusis de obrigatoriedades necessárias para o singelo ato de se inscrever numa prova e sentir o “gostinho” de uma pista de orientação.
De fato, em face do crescimento populacional, talvez estejamos vivendo um momento de processos seletivos e discriminatórios para escolher o público desejável num desporto, sejam praticantes ou na assistência. Assim, vem ocorrendo com a atividade de corrida de rua, os torcedores nos estádios e tantos outros eventos; onde se privilegia uma casta encarecendo ou restringindo os ingressos para a participação seletiva.
Mas esta atitude para a atividade de orientação, atualmente restrita, praticamente, ao público militar no nosso País, soa como um contrassenso. Isto me faz perceber e entender, perfeitamente, a nossa dificuldade em termos a prática de orientação consagrada e de ampla aceitação, tal como se evidencia em outros países.
Este meu desabafo deve-se as restrições para se realizar uma simples inscrição numa corrida de orientação, no interior do Estado do RS. Perguntam: Qual o seu clube? Está em dia com a anuidade? Tem chip eletrônico? Ao invés das boas vindas, de praxe, e do acolhimento receptivo a um “novo” praticante. Logo de entrada, exige-se um “cabedal orientação” como pré-requisito para poder, simplesmente, se divertir orientando-se.
Ao meu ver, os coordenadores do desporto de orientação estão tão absortos no desempenho, na competitividade e no registro dos escores dos seus partícipes, que se esqueceram do lado lúdico e educativo que antigamente enveredou a prática de orientação, só para lembrar: combinação de esforço físico e mental; respeito e integração a natureza; e estímulo ao desafio e tomada de decisão.
Pergunto maliciosamente: este é o preço a se pagar pela profissionalização do desporto ou, será, o preço imposto pelo cartel que tomou conta da prática de orientação?

Enfim, lastimável!