Manifesto dos caminhoneiros

Caminhoneiros - Crise Governo Federal

Manifesto dos caminhoneiros

Coloque encurralada uma criatura e comece a fustigá-la, verá que o bicho vai pegar. Caso não exista saída, o puro instinto se encarrega de prover uma saída: o ataque (mero comportamento natural de sobrevivência). Emblematicamente, a categoria dos caminhoneiros atacou, cruzando os braços.

No início da paralisação dos caminhoneiros, também tive a impressão de que esta seria mais uma represália ao descaso do Governo Federal ao setor de transporte. Aliás, a política deste governo é inerte e temerária, restringindo-se a salvar a própria pele. No entanto, ao não respeitar e desmantelar o manifesto dos caminhoneiros, observou-se que o mesmo tomou uma envergadura impressionante, levando para a chibata: eu, tu, ele, nós, vós e eles. Já estamos acostumados, o que é péssimo, às agruras dos impostos e da submissão (sem representatividade por votarmos mal); mas a dramaticidade do caos do desabastecimento… está doendo lá no osso.

Cada um, em razão de suas próprias rotinas e obrigações, sabe muito bem aonde mais calou a ferida e não vou falar dos sofrimentos que temos em comum: privação do direito de ir e vir, falta de insumos essenciais para produção e serviços, escassez de gêneros de subsistência, prejuízos e lucros cessantes inimagináveis que redundarão no indicador da economia brasileira, etc.

Diante deste zaralho total, vamos tentar entender o malabarismo que se viu forçado o governo a fazer para baratear o valor do óleo diesel (OD) na bomba de combustível. Para tanto, contamos com duas informações gráficas: (i) histórico do preço do OD e (ii) composição do preço do OD.

Fonte: Confederação Nacional do Petróleo (CNP). Disponível em: <http://www.cnt.org.br/imprensa/Noticia/nova-politica-precos-petrobras-prejudica-transportador>. Acesso em: 29 de maio de 2018. Inserida complementação em vermelho pelo autor.

 

Fonte: Agência Nacional de Petróleo (ANP). Disponível em: <http://www.petrobras.com.br/pt/produtos-e-servicos/composicao-de-precos-de-venda-ao-consumidor/diesel/>. Acesso em 29 de maio de 2018.

 

Depois de interpretados estes dois gráficos, passamos a ser descolados no que se refere ao assunto óleo diesel. Pois então, agora, apreciemos as rodadas de negociação do desgoverno.

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Na tentativa de resumir a trapalhada nacional, segue uma opinião pessoal e sintética a respeito do vergonhoso embate por causa do combustível.

O caos instaurado foi uma tragédia anunciada que se relutou muito a entender e admitir e, pior, acredito que haverá desdobramentos por conta dos demais combustíveis (gasolina, gás e até o ar que respiramos), cujos preços estão ascendentes (dia após dia)  e não se ataca a causa raiz do problema. Apesar da redoma protecionista a que foi submetida a Petrobrás neste episódio, a empresa amargou severos prejuízos acionários e, talvez, forte abalo a sua marca cada vez mais desgastada. O governo sai, como de praxe, nocauteado desta pendenga, arregaçando sua fragilidade e rejeição popular, aumentando o asco generalizado da nação aos políticos. Os caminhoneiros bateram o quanto puderam, dando-nos inveja do seu poder; porém infelizmente serão ludibriados e manipulados nesta negociata com um mandatário tampão que já jogou a toalha. É claro, deu-se margem para o surgimento de aproveitadores e infiltrados que estão por aí, tocando o horror. Nós, o povo, estamos e vamos pagar muito caro, por cada centavo, graças a esta confusão. Brasileiros e brasileiras, bem-vindos ao ringue da insanidade, onde se joga o “perde-perde”.


“Quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito.” – Georg Christoph Lichtenberg

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Sobre Mario Câmara

Lema: "Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito." Martin Luther King Jr.

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