Inteligência Artificial

Tá virando uma comédia esta história de inteligência artificial (IA ou AI). Virou moda agora colocar o nome de uma pessoa numa “gentalha” de sistema – mais arcaico que o pobre do ábaco – e dizer ser IA. Um banco resolveu dar o nome de “Bia” ao insuportável Call Center e passamos todos a ser felizes. Que tal a Joice? Hoje descobri a existência de uma recém-nascida denominada “Elis”, da Justiça de Pernambuco, que usa “inteligência artificial” para acelerar processos.

Gentem… é claro, formidável o desenvolvimento de sistemas que colaboram para aprimorar e automatizar tarefas repetitivas e enfadonhas que estafariam qualquer ser humano. Aliás, segundo a manchete da semana passada, aconteceu o inacreditável: “contagem manual de votos em eleições na Indonésia causa morte de mais de 270 trabalhadores”. Isso é o que eu chamo de dar o sangue! (atitude “parecida” com as das nossas pessoas do Congresso Nacional)

A classe política não me desvirtuará do título deste artigo!

Há de fato trabalhos valiosos, sérios e focados na busca desta inovadora fronteira da sapiência; porém, “por safadeza”, vejo que tem muito mais charlatões se apropiando indevidamente do termo e vulgarizando-o por puro marketing, sem sequer imaginar o quê, um dia, virá a ser Inteligência Artificial.

A confusão a respeito de AI, já se manifesta faz um bom tempo e faço-lhe rememorar a apoteótica partida de xadrez, em 1997, em que o incrível enxadrista Garry Kasparov foi derrotado por um “computador”; cujo resultado deveu-se ao mérito do mais incrível, ainda, algoritmo (“receita de bolo”) desenvolvido por programadores. Vejam bem, não foi o computador Deep Blue que derrotou Kasparov, foi o algoritmo capaz de analisar, com competência, aproximadamente 200 milhões de posições por segundo, sem piscar!

O dia D da verdadeira inteligência artificial, profetizando, ainda vai demorar a chegar, em razão do monumental salto tecnológico que representa. Estamos falando em algoritmos capazes de autocriar novos algoritmos reveladores em tempo de execução, estabelecer autonomamente synapses imprevisíveis mas coerentes. Não entendeu nada, então eu sintetizo: uma máquina capaz de se reinventar!

Eis uma odisseia digna da IA: o dia em que uma máquina for apresentada aos mistérios do “buraco negro” (solte sua imaginação com moderação) e conseguir desvendar os segredos do universo (solte sua imaginação sem moderação), teremos chegado a um lugar extremamente fabuloso e perigoso. Por enquanto, o que a maioria nos apresenta, é só brincadeira de baixíssimo nível computacional.

“Devemos prometer somente o que podemos entregar e entregar mais do que prometemos” – JEAN ROZWADOWSKI

À parte: por falar em descobertas e dando crédito a sabedoria popular, só agora me apercebi da razão por quê o apelido de “pudim de Iaiá do povo” (Inteligência Artificial ao quadrado) não “colou” na Presidenta Dilma Rousseff.

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Sobre Mario Câmara

Lema: "Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito." Martin Luther King Jr.

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