Ai se eu te pego...
Eis um sinal dos novos tempos. Diz aí cara, o que você quer dizer "na lata", sem rodeios e sem mensagens subliminares. “Delícia, delícia; assim você me mata; ai se eu te pego, ai ai... se eu te pego”, deixe-me entrar nesta balada.
Para xavecar uma moça, há muito tempo atrás, você chegava galanteador, com todo aquele respeito sincero e a boa educação que a situação exigia, afinal se estava passando por um processo de seleção natural. Atitudes tais como: abrir a porta do carro, encomendar flores para entrega, tratar a beldade como de fato é do merecimento de uma “deusa”; era o mínimo esperado. Pelo visto, foi-se este tempo. Agora, o cara já chega babando, ensaiando movimentos pornográficos e dizendo ou cantando barbáries, de deixar no chinelo o singelo e educado assobio do peão de obra ao passar uma mulata do Sargentelli.
O movimento feminista já se foi, pois seria inconcebível para elas, o homem ter que pegar a mulher de jeito, com uma frase tão explícita. Aqueles doces floreios na letra das músicas evocando o amor e o romance, são o que há de mais cafona para se ouvir. Pois então, gente, o negócio é mudar de estilo.
Não estou mais no páreo, mas me sentiria como um dinossauro se tivesse que entrar na pista. Agora, o negócio é ter pegada; tipo assim, os homens das cavernas pegando e arrastando o mulheril pelos cabelos. Beijar muito, apontar para o objetivo e já levar para o “abate”.
Sinceramente, não sei: ou o pessoal perdeu por completo a capacidade de interpretação de uma letra ou preciso, realmente, ser submetido a uma lavagem cerebral de tanto escutar esta "música"; a ponto de passar a achar este descalabro algo natural. Aliás, depois de "boquinha da garrafa" e "bundalelê", eu já deveria ter aprendido.
Como o sucesso é internacional, estou fortemente inclinado a achar que sou o desajustado nesta história - o sapo que ficou fora da panela e só vai ser cozido na próxima fervura. Por enquanto, contínuo sendo o retrógrado e o antiquado. De fato, que os tempos mudaram... mudaram! E vocês mulheres, também mudaram tanto assim? É só pegar, arrastar, usar e largar? Mero objetos para degustar - delícia!
Pode ser também que seja eu, quem está completamente por fora (maldita cabeça machista). Face ao alvoroço das delícias - receptivas com pejorativas letras que as embalam em provocantes coreografias - pergunto: não serão elas que estão babando, pegando e mandando ver?
Enfim, não entendo mais nada e melhor é não entender! Tão somente, viver o momento de psicose coletiva.

"Não se deixe levar pelo modismo". Ainda vou descobrir quem escreveu
- Para lavar os ouvidos e a alma (vale assistir até o final): http://www.youtube.com/watch?v=L8vXVQHDcuY
- Sobre direitos autorais, vale a pena ler: "Bundalização da música, banalização do direito autoral".






