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Moeda de Troca

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Moeda de Troca            Deparado com um assunto complexo, melhor particioná-lo em uma série de tópicos mais simples e ir montando o quebra-cabeça aos poucos. Simples assim na teoria, embora na prática... Terei o topete de abordar um assunto que é, e sempre será, inesgotável; que representa um dos maiores enigmas da economia e fonte de fervorosos embates da sociedade – a mais perturbadora, intensa e genial das criações humanas.

            Moeda de troca: o dinheiro!
            Entretanto, antes de virar as peças e começar a montar o jogo, o que me fez ousar enveredar por esta seara? Dois foram os motivos: um curso e um livro, com os quais me deparei. Não preciso dizer que os recomendo.
            Para início de conversa, um flash nos tempos das expedições de Cabral, em busca do caminho das Índias, nos idos de 1500. Como já contava a titia de História, os portugueses andavam atrás de melhor caminho e preço para as especiarias (cravo, canela, noz-moscada e pimenta do reino) do continente asiático. Por conta de escala providencial (planejada ou não) foi realizado o primeiro contato e comércio exterior na “Terra Nova”; é claro, na base do escambo. Apesar da barreira de comunicação, a negociata deve ter transcorrido, mais ou menos, assim: “toma aí um espelho; dá-me cá três cachos de banana”.
            De lá prá cá o negócio só se complicou. Vários foram os alvos de cobiça no território de além mar (quintal de exploração) e diversas as espécies de dinheiro-moeda envolvidas nas barganhas. Conforme Alexandre Versignassi (o autor do livro CRASH), dinheiro é algo digno desse nome quando obedece a dois critérios: (i) ser cobiçado; (ii) ser relativamente raro (se não for escasso, não tem valor) e (iii) ter credibilidade como moeda (critério adicionado pelo autor nas entrelinhas). Em diferentes épocas, atenderam a estes critérios: comida, sal (origem da palavra salário), cobre, bronze, ouro, prata, dólar e real (nossa atual grana na carteira). Apenas a título de conhecimento geral, em FEV 2011 tínhamos 135 bilhões de reais circulando na forma de cédulas e moedas, em poder das pessoas e dos bancos. Mas gente, para colocar uma baita pulga atrás da orelha, saiba que se somados os depósitos em conta-corrente, poupança, renda fixa, CDBs... Vai dar R$ 3,1 trilhões. Ou seja, a maioria dinheiro virtual (dinheiro escritural), só bits que aparecem na tela do computador associados a números de contas bancárias. Este é o abissal poder da boa-fé no “dinheiro”, para nos fazer parar, pensar e rezar!
            Bem, é de sentir inveja e saudade da simplicidade dos tempos do escambo, apesar da exploração ter corrido à solta pro nosso lado - Colônia. As transações internacionais de hoje estão muito diferente, envolvendo: Gerenciamento de Contratos e de Acordos de Compensação - Aspectos Logísticos de Contratos, Análise de Custos, Acordos de Compensação, Contratos Administrativos, Contratos de Financiamento, Aprovação de Projetos na Comissão de Monitoramento e Avaliação do PPA (CMA), Aprovação de Projetos na Comissão de Financiamentos Externos (COFIAEX), Cláusulas de Catalogação e Contratação Direta; Noções de Comércio Exterior - Despacho Aduaneiro, Sistemática do Comércio Exterior, Práticas Cambiais, SISCOMEX, SISBACEN, MANTRA e Remessa de Câmbio; Noções de Direito Administrativo e Internacional - Direito Internacional, Legislações Nacionais e Internacionais, Negociação de Contratos Internacionais, Acordos Internacionais, Instâncias de Acordos Internacionais e Direito Administrativo; Técnicas de Negociação - Técnicas de Negociação, Contratos e Acordos. Esta foi a ementa do Curso de Contrato de Negociações Internacionais e Acordos de compensação (CNEG-2011) do Instituto de Logística da Aeronáutica (ILA).
            Para dar mais uma canja do livro CRASH, é imperdível a explicação do que se tratam: fator multiplicador bancário, depósito compulsório, título público, "overnight" e taxa básica de juros da economia. Dentre estes, estão os mecanismos de controle que o Governo se vale para conter o poder de multiplicação do dinheiro, especialidade dos bancos. Sendo um pouco ferino, vou me aproveitar de uma passagem de uma das crônicas da Martha Medeiros: “o que é assaltar um banco, comparado com fundar um banco?” O toque de Midas dos banqueiros (spread bancário) é coisa de louco, pena que eles não repartam os dividendos do milagre, que fazem com o nosso suado dinheirinho que se multiplica nas mãos deles. Tá Ok, em defesa dos Bancos, o mundo não é perfeito e há a inadimplência, mas que os juros práticos são extorsivos... são!
            Após ter dito o nome do Santo, deixem-me esmiuçar um pouco mais o milagre da multiplicação da "mufunfa". Vou fazê-lo por meio de uma tabela e gráfico que apresentam o quantitativo de dinheiro de verdade e o dinheiro de mentirinha; ou ainda, num linguajar mais rebuscado, conforme a liquidez da grana.

 

Tipo de dinheiro (por liquidez) 

Quantidade (R$ - bilhões)

 Meio Circulante

 135

 Base Monetária

 183

 M1 (Conta Corrente)

 257

 M2 (Poupança, CDB e contas remuneradas)

 1.400

 M3 (Títulos Públicos - Renda Fixa e DI)

 2.900

 M4 (Títulos Públicos - sem intermediários)

 3.100

            Faz-se necessário um esclarecimento. Como os economistas gostam de complicar as contas e parecem aplicar uma lógica às avessas, cada tipo de dinheiro “M” (M1, M2,...) inclui a grana do “M” anterior. Eis um gráfico, que permite uma melhor visualização destes montantes.

Quantitativo de dinheiros - 2011

            Destes dinheiros, vou me alongar, só mais um pouquinho, para falar sobre Título Público. Não bastassem os impostos, os Governos de todo mundo, se utilizam da prática da emissão de títulos para tomar dinheiro emprestado. De quem? De todo mundo, desde outras nações até o seu trocado, se você tiver a fim de aplicar algum sobrando. Na verdade, na maioria dos casos, os Bancos entram na jogada, por meio do fundo de renda fixa, como intermediários ou você pode comprar títulos do governo pela Internet (Tesouro Direto: Pré - LTN e NTN-F e Pós - LFT, NTN-B e NTN-B Principal), de maneira um pouco mais trabalhosa, mas sem os encargos bancários. Algumas empresas procedem da mesma forma, quando emitem desses papéis e colocam no mercado financeiro para levantar grana, levando o nome de “debêntures”.
            O Brasil também entrou nesta ciranda. Aproveitou-se do dólar em baixa para comprar títulos do Tesouro, tendo em haver com os norte-americanos, o montante de US$ 350 bilhões (por favor, valor aproximado), esta situação em 2011. Recentemente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a própria Presidenta, afirmaram que, antes de o Brasil ter um patamar mais alto das reservas internacionais, a economia entrava em "parafuso" durante a ocorrência de crises financeiras mundiais. Com esses ventos mal cheirosos soprando da Europa, espero que eles estejam certos, quanto a eficiência desta medida contra a crise.
            E muito mais vale aproveitar, se você ainda não leu: "CRASH: uma breve história da economia - da Grécia antiga ao século XXI: como o dinheiro, a falta de dinheiro, a insanidade e a safadeza construíram o mundo mais próspero de todos os tempos". Veja bem, a parte mais interessante do livro, tratando sobre ações, não serei eu a estragar a surpresa adiantando comentários.
            Pois então, falta apresentar a conclusão e ligar com as ideias iniciais para o “gran finale”, conforme manda a boa métrica de redação. Peguei dois quebra-cabeças de 1000 peças (1m x 1m) cada um e montei um retratinho 3x4 cm, sendo que cada lado da diagonal cobriu uma fonte de informação: o livro e o curso. Sobraram peças a dar com o pau, mas foi o que deu para lançar mão, neste brevíssimo artigo. Por fim, lá vai uma sugestão ("cereja no bolo" depois do curso já feito) para o ILA. Num curso, seja lá qual for, não dá para apertar de mais, senão espana a rosca; por outro lado se deixar muito frouxo o conhecimento vaza pelas juntas e se perde rapidamente. Seguindo esta linha de raciocínio, para o curso CNEG seria interessante, ao meu modesto julgo, algum tipo de avaliação ao término dos conteúdos ministrados semanalmente. O aluno precisa sempre, ser colocado numa área de relativo desconforto, caso contrário começa a se desviar do foco e ler um livro. É claro, esta sugestão ficou guardada para depois de concluído o Curso, do contrário a Turma iria comer o meu fígado!  


            "Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência". - Henry Ford

 


             Palavras do orador da turma (Maj Orizon) por término do Curso: 

            "Sr Coronel Arthur Martin Lopes - chefe da Turma, Sr Cel Adílio Martins de Moura Filho - Cmt do Instituto de Logística da Aeronáutica, senhoras e senhores Oficiais concludentes do Curso de Negociação de Contratos Internacionais e Acordos de Compensação... Bom Dia!

            Não posso iniciar minhas palavras sem antes agradecer a confiança que me foi concedida pela turma em representá-la, neste momento, como seu orador.
            Agradeço também a hospitalidade e a camaradagem com que fomos recebidos pelos integrantes do ILA na pessoa do seu Cmt, o Cel Adílio. A maneira com que fomos tratados e a atenção que nos foi dispensada ultrapassaram em muito o que seria a fraternidade normal entre irmãos de farda. Registro, especialmente, a Maj Malheiros e o SO Souza. Eles foram nossos anjos da guarda durante o curso.
            Pode-se notar, neste auditório, que os alunos da FAB não são maioria, como seria de se esperar em um curso da Aeronáutica. Os alunos do Exército representam exatamente a metade e com os 02 companheiros da Marinha do Brasil somam 57% do efetivo. Isto mostra claramente a excelência do curso conduzido pelo ILA e a ratificação de que é uma referência no âmbito do Ministério da Defesa. Em termos de formação de recursos humanos, para a negociação de contratos, pode-se afirmar que já estamos integrados.
            Dentre os concludentes estão os futuros integrantes das Comissões do Exército e da Aeronáutica em Washington e na Europa. Fato que comprova a confiança conquistada pelo ILA no curso de negociação.
            A sociedade tem cobrado cada vez mais a honestidade e a retidão dos agentes públicos. A cobrança é maior ainda quando o agente é militar. A despeito da boa imagem e reputação que gozamos, ser honesto e reto é pouco. Muitas vezes o recurso mal gasto produz um resultado prático semelhante ao do desvio. Ambos não trazem benefícios efetivos e representam prejuízo para o contribuinte.
            Os assuntos da Defesa tem tido cada vez mais importância na mídia e na vida dos brasileiros. Os grandes projetos como a escolha da nova aeronave de caça, a construção do submarino nuclear, o monitoramento das fronteiras terrestres, marítimas e ainda a compra dos helicópteros EC 725, para as Força Armadas, são claras demonstrações de um Brasil que inicia sua caminhada para se tornar uma potência de nível mundial. Neste contexto, a negociação de bons contratos não representa apenas o cuidado com os investimentos presentes, mas a semente de ganhos futuros.
            O ILA pode ter a certeza que a qualidade das aulas e dos instrutores é muito elevada. Durante o curso, ficou comprovado que os assuntos não só foram tratados com vasto conhecimento teórico, mas por instrutores capacitados e moldados pelo emprego do conhecimento na sua atividade diária. Ensinar o que se faz é bem diferente de ensinar o que apenas se estudou.
            As aulas transcorreram em um ambiente de camaradagem, até descontraído, mas que não impediu o grande interesse da turma. A participação ativa dos alunos e a troca de experiências profissionais foi um ponto a se destacar.
            A Base Aérea de São Paulo é um excelente local para o curso. No entanto, não posso deixar de mencionar que é também uma verdadeira reserva ecológica no meio da massa urbana da Grande Metrópole paulista. A mata atlântica ainda nativa, a segurança proporcionada pela guarnição de serviço e as vias que permeiam todo esse complexo foram um convite irrecusável para a prática da atividade física.
            É fato que os alunos voltarão para suas unidades com grande conhecimento em negociação de contratos, mas muitos também regressarão com uma invejável forma física. A despeito da curta duração do curso, em 3 semanas, correr pela Base tornou-se um saudável hábito desta turma.
            Concluo minhas palavras com a convicção de que cada concludente leva conhecimentos preciosos e que serão empregados de imediato em suas Forças. Soma-se a isso o fato de que o Ministério da Defesa forma cada vez mais uma rede de militares, que se apoiando mutuamente, serão capazes de negociar as melhores condições em contratos internacionais. O grande beneficiado é o povo brasileiro e o nosso Brasil. Felicidades a todos e muito obrigado!"


 

Comments 

 
+1 #1 Orizon 2012-01-02 15:44
Grande Câmara. Muito bom seu artigo. Valeu pela referência ao encerramento do curso. Forte Abraço
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UAU !

          Não sou de polemizar, muitos menos de fazer baderna. Mas estes ares da capital devem estar me fazendo mal. Ando enojado e meio ranzinza com essa ganância financeira desmedida, que se evidência em todos os segmentos da nossa sociedade.
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