Cartel – Prática do Desporto de Orientação

Senhores,

orientação_esporteÉ com pesar que constato no que virou o salutar desporto de orientação, para o qual antes bastava o mapa, a bússola e pura vontade . Conseguiram afastar os iniciantes e curiosos, diante de exigências de afiliações a clubes, anuidades FGO, técnico responsável, enquadramentos em categorias e tantas barreiras que acabam por desestimular qualquer entusiasta. Além do desejável espírito desafiador na pista, agora se impõe uma via crusis de obrigatoriedades necessárias para o singelo ato de se inscrever numa prova e sentir o “gostinho” de uma pista de orientação.
De fato, em face do crescimento populacional, talvez estejamos vivendo um momento de processos seletivos e discriminatórios para escolher o público desejável num desporto, sejam praticantes ou na assistência. Assim, vem ocorrendo com a atividade de corrida de rua, os torcedores nos estádios e tantos outros eventos; onde se privilegia uma casta encarecendo ou restringindo os ingressos para a participação seletiva.
Mas esta atitude para a atividade de orientação, atualmente restrita, praticamente, ao público militar no nosso País, soa como um contrassenso. Isto me faz perceber e entender, perfeitamente, a nossa dificuldade em termos a prática de orientação consagrada e de ampla aceitação, tal como se evidencia em outros países.
Este meu desabafo deve-se as restrições para se realizar uma simples inscrição numa corrida de orientação, no interior do Estado do RS. Perguntam: Qual o seu clube? Está em dia com a anuidade? Tem chip eletrônico? Ao invés das boas vindas, de praxe, e do acolhimento receptivo a um “novo” praticante. Logo de entrada, exige-se um “cabedal orientação” como pré-requisito para poder, simplesmente, se divertir orientando-se.
Ao meu ver, os coordenadores do desporto de orientação estão tão absortos no desempenho, na competitividade e no registro dos escores dos seus partícipes, que se esqueceram do lado lúdico e educativo que antigamente enveredou a prática de orientação, só para lembrar: combinação de esforço físico e mental; respeito e integração a natureza; e estímulo ao desafio e tomada de decisão.
Pergunto maliciosamente: este é o preço a se pagar pela profissionalização do desporto ou, será, o preço imposto pelo cartel que tomou conta da prática de orientação?

Enfim, lastimável!

Sobre Mario Câmara

Lema: "Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito." Martin Luther King Jr.
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