Gestão do Conhecimento – E daí?

Pirâmide_Conhecimento_siteLi e ando lendo uma série de títulos sobre gestão do conhecimento e admito ter chegado ao mais absoluto caos informacional. A situação se agrava pelo fato de estar, em paralelo, tentando transformar esta gama de teorias numa construção prática que se sustente.

Portanto, muito calma nesta hora para não meter os pés pelas mãos. Primeira coisa para não se perder no raciocínio é manter o foco – representar o baluarte do conhecimento. Quais são os fatores fundamentais para a sustentabilidade da gestão do conhecimento: (i) pessoascolaborar com os seus bens mais preciosos (persistência, competências e criatividade); (ii) processos – implementar o compartilhamento de informações; (iii) tecnologia – facilitar o acesso (consulta) a informação. Estes fatores são consagrados como os três pilares da gestão do conhecimento.

Não existe nada mais intrigado e misterioso do que o pensamento humano. E, justamente, fruto de tamanha complexidade é que brotam ideias inovadoras e mirabolantes, tanto para o bem quanto para o mal. O fato é que por conta do perfil comportamental das pessoas, por vezes deficitário de entusiasmo, comprometimento, autoestima e perspectivas, inibe-se o aproveitamento do capital humano e, consequentemente, há a perda do pensamento criativo em prol da organização. Para contornar tal situação, faz necessário o contágio de mentes e almas, sempre se lembrando de levar em consideração a sapiência da lógica oriental: primeiro obedeça (Shu), depois entenda os porquês (Ha); e só depois comece a inventar (Ri).

Os processos se tornaram criaturas abomináveis, depois de sequenciais iniciativas sem resultados palpáveis; pelo menos, segundo a minha percepção. Deparamo-nos com um bombardeio de práticas de qualidade (5S, Kaizen, seis sigmas, PDCA, normas ISO, COBIT, ITIL) todas pregando a mesma reza (promover a melhoria dos processos), mas nada de experienciar o milagre. Tamanho descrédito associado à cultura arraigada, apesar de ultrapassada, de monopolizar a informação, denota a dificuldade de se implementar o mapeamento de processos, cuja importância é vital: ter organizado e sistematizado o trabalho.

Além de evidenciar o incremento do número dos sentidos humanos, a saber: tato, paladar, olfato, audição e visão; a tecnologia veio para aguçar o sexto e o sétimo sentidos, completando sete que é a ordem natural do universo. Forçando um pouco a amizade, revelo que os dois “novos sentidos” tem tudo a ver com o que estamos fazendo aqui neste momento, nos comunicando, transmitindo ideias, trabalhando a informação, fazendo fluir o nosso pensamento, enfim, sensibilizando: a percepção e a compreensão humana. Sem os avanços tecnológicos, sejam na área de transporte, informação, comunicações, etc., a nossa percepção e compreensão de mundo seriam completamente diferentes. Portanto, nossa concepção do mundo globalizado se deve as facilidades promovidas pela tecnologia e se consubstanciam num caminho sem volta para a humanidade.

Bem, um conjunto de pilares que se preze deve servir para sustentar alguma estrutura; no nosso caso, temos em haver a pirâmide do conhecimento, composta de quatro camadas: (i) dados; (ii) informação; (iii) conhecimento + ação; e (iv) resultado. Há outras leituras que optam pela sabedoria no ápice da pirâmide, mas prefiro a objetividade do resultado.

De “bate pronto”, os dados são todas as observáveis captadas e quantificadas de uma determinada entidade do mundo real, depois de submetida a um modelo de representação simbólica. [universo de observações]

A informação é caracterizada pelos dados investidos de relevância, propósito e significado para um contexto específico. [quem, o quê, quando e onde?]

O conhecimento é inerente ao ser humano e indissociável da ação, que conferem significado (consistência) e praticidade (fluidez) a informação que se potencializa (dá-lhe Einstein: E=m.c2). [como?] Há ainda uma subdivisão do conhecimento, que pode ser: (i) explícito – quando o conhecimento é facilmente mapeado e passível de ser aprendido por terceiros; e (ii) tácito – refere-se ao conhecimento pessoal, calcado em experiências com insumos subjetivos.

No topo, temos o resultado que é o suprassumo ou o fruto do trabalho exequível, em face do atual grau de maturidade.

E daí, pra que serve isso? Vou concluir e resumir todo este falatório numa simplória tabela que retrata a pirâmide do conhecimento aplicada a cenários esdrúxulos do nosso dia-a-dia, de forma a comprovar sua aplicabilidade e reforçar o ditado: “nada se cria, tudo se copia”.

Cenário (objetivo) Dados [mundo real] Informações [quem, o quê, quando e onde?] Conhecimento [como?] Resultado [E daí?]
Cozinha (preparar refeição) - Itens da dispensa

– Utensílios

– Eletrodomésticos

- Juntada dos ingredientes e meios necessários para o preparo do prato Mão na massa (seguir a receita e acrescentar pitadas de subjetividade) - Refeição (muito boa, satisfatória ou passível de melhoria).
Festa (boa companhia) - Pessoas

– Luzes

– Bebidas

– Música

– Espaços

- Levantar afinidades da parceria Mão na massa (seguir o instinto e acrescentar nuances de subjetividade) - Toco;

– Uma noitada; ou

– Felizes para sempre.

Eis singela colaboração, sob uma perspectiva singular, do que entendo e consigo explicitar sobre gestão do conhecimento. Ficou faltando uma liga entre os pilares e a pirâmide, assim como o baluarte ficou sem fundação. Porém, sabemos, o processo de construção e melhoria continua faz parte da elaboração do conhecimento, sempre contando com o compartilhamento, colaboração e consulta de todos.

“Pense como um homem de ação e aja como um homem de pensamento.” – Henri Louis Bergson (filósofo francês)

Sobre Mario Câmara

Lema: "Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito." Martin Luther King Jr.
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2 Responses to Gestão do Conhecimento – E daí?

  1. PUCRS – FACIN – SUCESU – GUGC – Beatriz Benezra
    Primeiro parabenizá-los pela organização do evento “A Gestão do Conhecimento aplicada à Gerência de Projetos”, em 13 Nov 14, que reuniu pessoas interessadas no assunto para um debate. Foi bastante interessante a abordagem adotada e destaco ter se tratado de uma excelente oportunidade para elucidar uma série de tópicos relacionados ao conhecimento.
    Fruto de reflexões, apresento duas considerações:
    (1) É interessante ver perdurar, ainda, certa dificuldade no limiar da fronteira entre informação e conhecimento, que causa confusão, tal como aconteceu a respeito de suas considerações sobre repositório (“repositório não é tudo”). Entendo que haja área de sobreposição entre os dois conceitos (informação e conhecimento), mas vejo a diferença entre um e outro, evidenciada ao se incorporar à informação o capital intelectual humano (experiência individual). Sem a pessoa para dar vida (ação) à informação armazenada no repositório não se chega aos resultados. Estou contigo: “repositório não é tudo!”, apesar de ser fundamental.
    (2) “Conhecimento é poder”. Julgo inadequado este ditado por exaltar, numa tacada só, três pecados capitais: avareza, soberba e a gula. Basta observar as vestimentas do Francis Bacon na fotografia do slide apresentado na palestra para inferir tratar-se de um pensamento da era industrial, próprio para aquela época dos grandes segredos fabris. Não sei se já foi cunhado o ditado apropriado para a era do conhecimento, mas com certeza não é o supracitado.
    É isso… mais uma vez parabéns e sigamos em frente, na busca da melhoria continua na gestão do conhecimento. Nesta oportunidade, no coquetel, a Luciane me apresentou o software Qualitor, que numa primeira análise, me pareceu bastante interessante.
    Até a próxima!

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