Vexame – Copa do Mundo 2014

vexame_copaBrasil 1 x 7 Alemanha, placar no jogo da semifinal da Copa do Mundo de Futebol 2014. Quanto a ser uma partida de futebol memorável, concordo; mas sustento minha opinião quanto ao feito marcante. Nunca na história da Copa se teve um placar tão benevolente, por parte de um time superior que abdicou de jogar para não humilhar seu adversário, mais ainda.
Tá legal (no imaginário) pensaram os alemães… como o anfitrião deseja o Hexa, então façamos o placar de 6 x 0 e ficamos todos felizes. Como a “seleção” brasileira facilitou por demais, saiu mais um gol – meio sem querer – que foi, por clemência, devolvido para arredondar a conta. Poderiam ser nove ou dez gols favoráveis, porém os alemães estavam convictos no tamanho relativo da trapizonga.
Bem, se por um lado os alemães foram tão generosos na medida da goleada de presente, fomos inocentes – como sempre – por acreditar em papai Noel, mesmo fora de época. Ô povinho para ter fé inquebrantável, mesmo diante da óbvia realidade. Os três primeiros jogos foram deploráveis, no entanto acreditávamos num crescimento, entrosamento e amadurecimento da “seleção” no decorrer da competição. Contra o Chile entramos em campo com cagaço, onde já se viu? No jogo da Colômbia tivemos as graças de Deus, que forçou o travessão pra baixo, e do goleiro milagreiro. O que poderíamos esperar ao nos depararmos com uma seleção na verdadeira concepção da palavra? Um vareio… é claro!
Procurar um Cristo é perda de tempo. Uma seleção é uma aurora boreal que forma um leque harmonioso de brilho e de cores que não ocorre ao acaso, reluz após muito sangue, suor e lágrimas empenhados. Já nossa “seleção” nunca teve identidade com o povo brasileiro e seu brilho se restringia a uma estrela solitária, ofuscada por nuvens nada passageiras que com o tempo não se foram; aliás, se espessaram. Para explicar o fiasco, pode escolher: (i) o sábio ditado “pior cego é aquele que não quer enxergar!” ou (ii) as fantasiosas teorias conspiratórias.
Outro ingrediente diferencial da nossa “seleção” foi a fixação daquele que “gosta de cavalos pangarés”, que depois do fato consumado, assumiu a culpa. Tarde demais!
Mundo que gira, página virada e, resta-nos, partir para o próximo desafio, em um campo de batalha mais sério. Por favor, não estou falando do jogo secundário da final, cujo resultado é líquido e certo: germanos holandeses na cabeça.
É hora de esquecer o pão e o circo, tirando algum ensinamento do vexame para darmos uma volta por cima, levando à sério aquilo que realmente interessa. De preferência pessoal, sem miragem coletiva e com civismo responsável.

Depois do tropeço na ilusão, vamos abrir os olhos e cair na real!

Sobre Mario Câmara

Lema: "Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito." Martin Luther King Jr.
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