Planeta chacoalhado

Planeta chacoalhado

Bem, sabe como é né; de quarentena o assunto não poderia ser outro.

Todos temos a nítida percepção de que cada dia é um desafio de sobrevivência na jornada da vida. Até aí, faz parte do jogo e vamos levando, tudo bem!

No entanto, estamos diante do mais escabroso acelerador do processo de seleção natural da raça humana. Um mísero vírus microscópico está sendo capaz de um estrago fenomenal, provavelmente, muito superior ao correspondente deflagrar de uma bomba atômica ou colidir de um meteoro.

Não vou me referir ao contingente incluso na taxa de letalidade, atingidos diretamente pela hecatombe; o que, por si só, já é por demais lamentável e pesaroso. Por incrível que possa parecer, sem ser catastrófico, pior ainda serão os inimagináveis e imensuráveis efeitos colaterais desta pandemia, seja sob o aspecto econômico, social ou global.

O desenvolvimento econômico é tido como o motor propulsor de nossa sociedade. Se a desaceleração mundial já se mostrava problemática, estamos agora diante de uma paralisação total (lockdown), sem expectativa da data de retomada da máquina econômica. Contrariando a letra da música de Raul Seixas: se quiser descer não precisa sequer pedir pra parar… parou!

Falar em social, leva-nos a estratificação da sociedade em classes. Não sei, mas tenho a impressão de que a base de nossa pirâmide, apesar ou justamente pelos pesares, somos todos “casca grossa” no bom sentido e rebateremos bem ao vírus. Sim, há um pouco de negação, talvez um certo otimismo exacerbado; o importante, é que Deus nos ouça! Aparenta-me ser mais preocupante as seguintes possibilidades:

  1. um maior abismo entre classes, em razão do isolamento social prejudicar severamente algumas oportunidades informais e até negócios formais; e
  2. a natural propensão a convulsão social, decorrente do agravamento da fome e desespero.

Sob o aspecto global estamos aperfeiçoando os tempos das cruzadas, algo similar a quando o homem branco trazia doenças para os índios. Hoje não se define mais o homem branco e o índio, porém pode-se colocar toda fatura (prós e contras) na conta da globalização, a qual é capaz de fazer mesmo quem não tem condições de levantar voo, indiretamente, aspirar os maus e os bons ares do estrangeiro. O mundo é sem fronteiras e não tem mais volta, mas alguém tem que colocar ordem “nos galinheiros”, ou seja, se importar com a vigilância sanitária mundial. Tá, “joga pedra na Geni” (China); porém, no âmbito tupiniquim, só para exemplificar, todo mundo já se esqueceu da “bendita” cervejaria mineira. A diferença, além do escopo, é que o vírus não dá, simplesmente, pra retirar das prateleiras.

Nesta história toda, pra variar, o “Eduardo Bananinha” (aquele que se julgava competente para ser embaixador, sem nunca ter se preparado para sê-lo) não poderia deixar de fazer um desserviço diplomático; inoportunamente, apontando culpados pela epidemia. Parece-lhe fora do alcance, mas seria muito mais produtivo buscar soluções e trabalhar proativamente. Mal de berço.

O Coronavírus (COVID-19) é uma prova de vida a qual todos seremos submetidos, mas não tenhamos pressa. Vamos ganhando tempo e terreno, enquanto os nobres profissionais de saúde correm desenfreadamente atrás do prejuízo. Pode crer, tudo vai dar certo e vamos sair desta provação, dando um enorme passo rumo ao novo patamar; com mais um vírus no bolso do paletó, sabemos lá quantos tostões a menos no mundo financeiro (pergunta que não quer calar, qual será o tamanho da recessão) e o planeta chacoalhado.

 

#JUNTOSCONTRAOVÍRUS

 

”Obstáculos são aquelas coisas amedrontadoras que vemos quando tiramos os olhos do objetivo” – Anônimo

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