Em suas mãos ...

Só depende de você!

Algumas atitudes podem ser explicáveis, apesar de não significar que sejam justificáveis. Por isso, não me olhe enviesado por largar, logo de partida, uma frase de efeito para o leitor(a) estufar o peito:

“Aquele que não corre riscos jamais saberá o que é coragem.”

A questão é que alguns segmentos profissionais têm, em si, tão arraigada a prática do risco que chega a soa-lhes ofensiva esta história de passividade às cegas (fique em casa). É claro, temos sempre a curva de Gauss a nos apontar os percentuais das caudas de exceções, mas grosso modo é contra a natureza humana de alguns representantes da sociedade, ter por princípio master, ser cauteloso. Uns por aí, meio sem noção, preferem rasgar o verbo e empregar termos mais ofensivo: ser “marica ou cagão”.

Vamos lá, imagine um piloto de F1 cauteloso? Sim, você encontra ocorrências fora da curva, mas o considerado normal neste meio ferozmente agressivo é o ímpeto irrequieto e audaz; tal como o do imbatível, formidável e memorável Schumacker. Não preciso me prolongar, pois fica para sua reflexão pensar sobre a obra de vida desse campeão. O nosso Senna não fica atrás.

Já a palavra coragem é muito forte e brota do âmago; agora autoconfiança acredito que se posicione um degrau abaixo e possa ser uma aptidão treinada e desenvolvida; mesmo que de uma maneira, por vezes, sutil e imperceptível. Recentemente, deparei com fotos de uma formatura militar que veio a corroborar com um preceito da caserna, somos indiferentes às intempéries do tempo. No fragor da batalha diária, o infortúnio de um vírus, tal como um errático raio ou tiro que o parta, tratam-se de mero azar militar. Nas palavras oficiais da Força, todas as medidas sanitárias são rigorosamente cumpridas nos quartéis, o que garante difundir que o nosso Exército nunca para!

Nem que chova canivete

Indiferente as intempéries do tempo

Nem que chova canivete

O que dizer da sina dos empreendedores ou trabalhadores brasileiros que se retroalimentam diariamente de novos riscos para alcançar a sobrevivência do próprio negócio ou sustento familiar. Esse pessoal é, verdadeiramente, faca na boca; sem condições de ficar se preocupando com qual orifício facial a máscara está cobrindo. A situação extrapola da necessidade para a mediocridade quando ir a praia e curtir festas lotadas tornam-se gêneros de primeira necessidade.

É, a esta altura, você bem captou aonde quero chegar! Sem qualquer remorso ou constrangimento, tem gente que topa apostar ou, até mesmo, tem necessidade intrínseca de pagar para ver! Se é coragem, lei da sobrevivência ou loucura, eu não sei! Mas o que sei é que se trata de perda de tempo tentar chamar alguns a razão quanto ao perigo à espreita. Acham-se inexpugnáveis e façamos votos para que estejam certos; só tendo alguma chance de cair na real se sentirem na pele e olhe lá.

Você quer ser (i) um incrédulo talvez morto; ou (ii) um cauteloso talvez vivo?

Estou absolutamente certo de que a resposta apropriada seja: só depende de você! Mesmo porque só há de concreto as incertezas e Deus nos proveu de livre-arbítrio, estando implícito que se assuma as consequências.

Que venha logo esta controversa vacina, pois quer você seja do grupo rotulado de “corajoso” ou “covarde” (rótulo é uma coisa, ser é outra); ninguém mais aguenta tantas dificuldades, restrições e cuidados. Aqueles que dispensarem a picadinha, não há problema pois favorecerão a vacinação de outros. É impossível, mas quem dera pudesse existir uma lista VIP às avessas (“Termo de Irresponsabilidade”) constando os “rabugentos” antivacina  e os insensíveis aos protocolos sanitários para que, porventura, venham a ser acometidos desta praga tenham a correspondente prioridade no atendimento. Caso sua saída seja colocar todas as fichas na hidroxicloroquina e derivados … vá nessa filho(a) de Deus e que a sorte sempre o acompanhe!

O que importa é virarmos esta página e seguirmos em frente, apesar de consternados com a lastimável aniquilação de vidas – praticamente o correspondente ao efetivo na ativa do Exército Brasileiro – que sucumbiram no embate contra a COVID-19. 2020, um ano que dispensa retrospectiva mas as(os) vencedoras(es) desejamos um Feliz Natal com muita luz, amor e saúde!

 

“Covardia é medo instintivo (reação); coragem é medo ponderado (decisão).” – Ernest Legouvé

Deixe um Comentário