Agente Secreto

Premiado … parabéns!
Porra … deixa eu escrever para ver se consigo lembrar alguma passagem que tenha valido a pena, já que assistir ao filme foi desconfortável. Que filmezinho ruim, daqueles que por diversos momentos se avalia, não ser mais proveitoso abandonar a sala de cinema. Eu, simplesmente, não acreditava no que estava assistindo. 😵💫
E ainda por cima saber que “aquilo” concorreu e foi consagrado noagente-secreto/ Festival de Cannes-2025 (Palma de Ouro) e Globo de Ouro-2026, melhor intérprete/ator (Wagner Moura) e melhor diretor/filme dramático (Kleber Mendonça Filho). Não entendo, não!?
Eu só consigo achar uma possibilidade para a posição de destaque: o filme é chocante, no péssimo sentido. Nada de trama elaborada ou história que emocione, salvo as cenas esdrúxulas que possivelmente fizeram revirar o caixão do Zé do Caixão. Nunca vi um bate-bola (fantasia carnavalesca 👹) tão sinistro. Que coisa ridícula aquela perna cabeluda! Tá releva … foca no sentido figurado e folclórico.
Outros pontos de horror macabro foram a putaria a céu aberto, a corrupção desvairada e as pinceladas de xenofobia às avessas. Tudo bem que somos um país caliente, mas daí em qualquer lugar e a qualquer hora agirmos como bichos no cio, fazendo inveja a Sodoma e Gomorra é foda. Nossa Polícia [1] nunca foi e nem será “santa”, porém do jeito que foi retratada é melhor se deparar com o Cramulhão fora da garrafa. O estopim da desavença que conduz a trama deixou a desejar e ficou sem nexo pra sustentar a matança. Quem é o agente secreto? Quem era acima de qualquer suspeita (secreto) e de que tudo sabia (agente)? [2]
Bem, do jeito que nossa sociedade brasileira foi retratada, não consegui enxergar nenhum motivo pra orgulho, tratando-se de algo desabonador e vexaminoso. Um desserviço [3] a nossa imagem de país. Quanto aos cenários, salvo o resgate de saudosas tomadas de mercados de outrora em Recife, os locais sempre se mostravam insalubres e as pessoas desleixadas. Corroborando o que achei, sequer a Teresa Vitória se agradou do que viu em Terra Brasilis.
Como nem tudo são espinhos, aquele fuqueta amarelo ouro tava um brinco, servindo pra mostrar para as crianças onde ficava o porta malas da lata velha e, também, pra que serviam o telegrama e o orelhão 🦻 da mesma cor.
Não tenho qualificação e nem sensibilidade de crítico artístico para tecer qualquer comentário a respeito do desempenho do Armando/Marcelo/Fernando, que vestiu três chapéus no decorrer da obra cinematográfica. Gostei das atuações, dona Sebastiana foi maravilhosa. Agora na qualidade de telespectador – nem a pau – coloco Agente Secreto [4] no rol das películas que valha a pena ver de novo. Levou prêmio consolação pela pornochanchada, talvez? Pra mim, tal como o tubarão sobre a mesa, senti o filme fétido!
Registro de provocações nas entrelinhas, mordiscando bem miudinho pra ninguém se zangar:
- [1]
- Quer saber, nem você e nem eu vamos gostar, mas nossa polícia corrupta é lambari (ladrão de maço de cigarro). Agora tubarão mesmo é o banqueiro Master, o juiz “coitadinho” perseguido do STF, a farra das emendas no Congresso Nacional e, pra fechar, o tubarão-mor em pleno Palácio do Planalto. Suscita uma boa reflexão ponderar que o policial ou o político ladrão, nada mais são do que uma fidedigna amostra da nossa sociedade. Na real, cochichando bem baixinho, eu acho que os corruptos são ETs infiltrados, não podem ser brasileiros. 🤫
- [2]
- Tania Maria

- [3]
- É um tanto incoerente, nós (sociedade) nos “vendermos” de uma forma e esperar que nos “comprem” de outra forma. Depois ainda reclamamos de preconceito, por sermos (nós latinos americanos) vistos como depravados, corruptos e/ou não confiáveis. Pudera!?
- [4]
- Sério! É interessante como deixamo-nos ser esmagados pela opinião pública para merecer o pertencimento. Ao degustarmos um vinho temos que ter a finesse gustativa de destacar os aromas intrínsecos. Ao depararmo-nos com uma obra que alcançou reconhecimento para ocupar espaço numa amostra de arte pós-moderna, temos que buscar algum ângulo para admirar o bizarro. Reforçando o objetivo de chocar do filme, até o gato tinha que ser bizarro. E assim, seguimos representando e – concluo resignado – que todo brasileiro sobrevivente é digno de um Oscar.

“Eu sou a ‘Maria’ que não vai com as outras”.
Assista ao filme e conclua por si próprio.
O orelhão ficou ali, firme no poste, observando a rua passar.
Carros apressados. Pessoas com celulares colados ao rosto.
Ninguém mais parava na sua frente. A pandemia foi a pá de cal.
Mas ele lembrava de tudo.
Das moedas caindo, do som metálico ecoando por dentro.
Das mãos trêmulas de quem ligava chorando.
Das risadas altas de quem avisava: “cheguei bem”.
Dos amores proibidos, das madrugadas frias, das despedidas rápidas.
Ali dentro, a palavra saudade nunca foi enfeite.
Foi rotina.
Naquela manhã, um caminhão encostou.
Homens de colete desceram, olharam de alto a baixo, anotaram números.
O orelhão entendeu na hora.
— Chegou minha vez… — pensou, em silêncio.
Não sentiu raiva.
Sentiu cansaço.
Sentiu orgulho.
Ele sabia que o mundo tinha mudado, mas também sabia que, por décadas, foi ponte entre pessoas que não podiam se tocar.
Foi voz quando faltava coragem: “fala com ele, Elizabeth”.
Foi último recurso quando tudo dava errado.
Antes de ser desligado, imaginou uma última ligação.
Não para alguém específico.
Mas para 😭
…
Mas para todos.
Para dizer que esteve ali.
Que ouviu segredos.
Que guardou lágrimas.
Que nunca caiu uma chamada importante. Contanto, que disponha de crédito.
Quando o retiraram, a rua ficou mais vazia do que parecia.
Ninguém percebeu.
Mas o silêncio ficou diferente.
E, em algum lugar da memória de quem viveu aquela época, o orelhão continuou tocando.
Mesmo sem linha.
Mesmo sem moedas.
Só de saudade. 📞💛
“Na Academia há muitos brasileiros, nós gostamos muito deles, mas eles são ultranacionalistas. Acho que, se os brasileiros inscrevessem um sapato no Oscar, todos votariam nele”, disse Óliver Laxe durante o talk show La Revuelta, da emissora pública espanhola TVE.
Falem mal, mas falem de mim!
