Deuses do Olimpo

Deus nos livre!

“O diabo é o diabo não porque é sábio, mas porque é velho.”

Eu ando meio bolado com o Supremo Tribunal Federal (STF). Tudo bem que dizem que o poder e o dinheiro corrompem; na verdade, revelam quem você realmente é. Não faz muito tempo, contingentes do EB foram empregados em operações de GLO em algumas (favelas) comunidades do Rio de Janeiro. Além do objetivo de revezamento, adotou-se a estratégia de não deixar perdurar por mais de 6 (seis) meses o contato da tropa com a bandidagem local para evitar eventual contaminação (cooptação pelo tráfico). Então, como fazer com os Ministros da Corte Suprema, a de eterno em contato com os mais fina flor do colarinho branco[1].

Outra situação que foi impossível não fazer o paralelo. Os recrutas, jovens inexperientes nas lidas da caserna, assim como todo militar ao longo da carreira, estão sujeitos ao Regulamento Disciplinar do Exército (RDE). A regra é clara e estabelecida para todos, desde o cruzar dos portões. Agora, causa-me estranheza doutores do direito constitucional precisarem de um código de ética e conduta para determinar-lhes o que podem e o que não podem fazer. É como se os ministros (Deuses do Olimpo) precisassem pedir permissão para ir ao banheiro. Mas, tudo bem, façamos um “combinado” e, por mim, estão autorizados desde que não emporcalhem a toga!

Feito o preâmbulo, sempre achei a tal Curva de Gauss um escândalo para representar os comportamentos observáveis da natureza, incluso os de natureza humana. Despeje um caminhão repleto de areia (“pessoas”) e sempre haverá a maior parcela de grãos que se concentra no meio e uns tantos que se esparramam. Pois, vamos seccionar – bem no meio – o monte de areia e estudar a curva resultante (distribuição normal). Já irei estabelecer, movido por puro empírismo, algumas métricas: média (µ)= 46; e desvio padrão (σ)= 14. Põe foco no eixo horizontal que representa as idades e abstrai os percentuais.

 

Vamos atacar por quadrante:

  • 1º quadrante: retrata a faixa etária dos 18 aos 32. Gerações vem junto com novos comportamentos que as diferenciam. Fala-se muito de uma geração cuja gestação agarrada na barra da saia da mãe se estende até os 30. Também é notória uma parcela privilegiada que emenda a <graduação, mestrado e doutorado> antes de adentrar no mercado de trabalho. Enfim, de modo geral, a turma mais jovem mostra-se bastante volátil, reticente e custa mais a amadurecer, um tanto diferente de gerações anteriores; cujo cuidado, por vezes, apontava para exploração infantil.
  • : opa, aqui o calo começa a apertar, por bem ou por mal. Neste quadrante (33-46), começa a aflorar os planejamentos para com a própria prole e, assim sendo, a estabilidade profissional passa a ser uma preocupação. O que antes era um porto seguro (casa dos pais) começa a apresentar sinais de escassez e aperto, fazendo o instinto de sobrevivência falar mais alto.
  • 3º (47-60): agora, sorte ou azar, muito lembra o conto da formiga e da cigarra. Quem aproveitou se lambuzou de conhecimento e experiência. Quem só ficou flauteando; bem, sirva-se do alimento da música aos ouvidos. Se antes a barreira pode ter sido a falta de experiência, agora o buraco – cada vez mais profundo – começa a ser o preconceito etário. Tá bom, uns botox ajudam mas o vigor vai ficando pra trás.
  • 4º (61-75): nesta fase as faturas de sempre continuam chegando, acrescidas das contas da farmácia. Caso tenha sido possível inflar suficientemente o colchão dá pra seguir na boa e aproveitar; agora se a cama for uma esteira de palha-taboa estendida no chão, há um desconforto reinante. Os que estão na batalha nesta fase da vida, seja por necessidade ou opção, eu apelido de highlanders do trabalho.

Para parametrizar a curva apresentada (µ=46, σ=14), utilizei-me como limiares a idade de alistamento militar e o máximo de 75 anos para permanência (aposentadoria) dos Ministros do STF. Outras referências: (i) os oficiais-generais no serviço ativo, militares que galgam ao último posto, geralmente carregam em torno de 65-70 anos de idade nas costas; (ii) o apresentador de TV que todos conhecemos do JN, tirou o pé do acelerador ao 62 anos; e (iii) o ministro Luís Barroso resolveu pedir as contas com antecedência de 8 (oito) anos à compulsória.

Mas aonde eu quero chegar com esta prosa?

Por razões óbvias, não é possível enquadrar os divinos 11 (onze) imortais do STF como meros grãos de areia. Isto dá-lhes não só a sensação mas a certeza absoluta de estarem ACIMA DO BEM E DO MAL e, na minha humilde opinião, a única amarra cabível ao STF seriam os inquebrantáveis valores éticos e morais de seu integrantes. Infelizmente, esperar isto hoje, é utopia! Daí, sobressai a extrema responsabilidade de quem os nomeia e os sabatina. Por enquanto e por um bom tempo, estamos divinamente fudidos com Dias Toffoli (58 anos)[2], Alexandre de Moraes (57 anos) e Gilmar Mendes (70 anos).

 

Registro de provocações nas entrelinhas, mordiscando bem miudinho pra ninguém se zangar:

[1]
Vorcaro (Master), Marcelo Odebrecht, Lula-lá e os políticos adoradores de emendas desviadas e rachadinhas, etc. Aliás, o nosso Congresso Nacional é quem  sabatina os indicados ao cargo de Ministro do STF e a política é: caso não nos incomodem está tudo certo! Nossos “Proderes” estão apodrecidos.
[2]
É sério que depois de toda esta trapalhada, você ainda acredita que o Toffoli tá bem na foto.

 


 


“O amigo do amigo de meu pai.”

“Pelo menos um … terrivelmente evangélico no STF.”

“Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo.” – Cármen Lúcia, Ministra do STF

 

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