Eternamente clássicas

Velho não, clássico!

Velho não, clássico!

Nesta semana derradeira do mês de março me deparei com duas histórias conhecidas de velhas datas: (i) uma parábola simplória tendo como personagens a verdade e a mentira; e (ii) uma representação das diversas percepções/perspectivas de um projeto.

Bem, acho interessante o exercício de “redesenhar” com as próprias palavras e reflexões.

Era uma vez … duas criaturas bem distintas. Interessante que apesar de uma ser o avesso da outra, elas coabitam no mesmo cenário. Esta proximidade faz com que uma não viva sem a outra, apesar de nunca se darem a mão. A mentira é bonachona, folgazona e agradabilíssima aos olhos e ouvidos. Já a verdade, não é de mostrar os dentes de tão sisuda, sincera e de poucos amigos. Um belo dia, a mentira resolveu puxar conversa.

– (a Mentira): Bom dia!!!

– (a Verdade, duas “metades” desconfiada): Bom dia.

– (Mentira): Que calor faz hoje, né!

– (Verdade, diante do óbvio): Tens razão.

– (Mentira): Olha, não há nada melhor que um mergulho refrescante neste lago.

A mentira se despe, se atira na água e pergunta: sério, tu não vens? A verdade ainda ressabiada acha tudo muito estranho mas aceita o convite, também tirando a roupa e se atirando na água.

A verdade mal deu a primeira braçada e a mentira sai correndo da água, pega a roupa da verdade, a veste e se escafeda pelo mundo.

A verdade passada pra trás, não se submete ao acinte de se vestir como se fora mentira e, envergonhada, resolve seguir se esgueirando – nua e crua – pelos recantos sombrios. Pra enxergá-la, só com óculos noturno. 🧐

É foda … mas devido as fake news, a ideologia cega [1] e a falta de senso crítico/cético este golpe virou coisa de praxe. Ainda não é 1º de abril, mas ouça verdade ou mentira?

Outra.

Um plano de ação (1. e4 e5 2. Kc6 Kf3 3. Bb5 ) é uma trilha inicial – não um trilho – para solução de um problema. Não tem jeito, caso eu resolva ir comprar pão, mesmo inconscientemente: vou traçar um caminho; calcular o tempo de deslocamento de ida e volta; e pensar nos ponderáveis (dinheiro/cartão/pix, tá aberta a padaria, levo guarda-chuva) para não perder a viagem. Agora imagina se você tem pela frente o encargo de desenvolver um “balanço fuderoso”, talvez seja interessante definir um planejamento (organização) [2] mais elaborado.

Eu diria (quem me dera) … que a parte mais importante seria delinear claramente o OBJETO da empreitada. “Alice”, para onde você quer ir? Se não souber, leva a mal não, melhor ficar em casa.

O ruído é o que há de pior que pode acontecer no desenrolar de um projeto/programa/sistema e, por incrível que pareça, o ruído não se dá – prioritariamente – por excesso de barulho; porém sim, pela desarmonia dentre o pensar, falar, escutar e compreender. Vulgo, falha na comunicação [3]. E mais, o silêncio pode ser estrondosamente ruidoso.

Fulano pensa “A” e expressa “B”, Ciclano entende “C” … e no pobre coitado do Enésimo chega “Z”. Bah! Simples assim, quer que eu desenhe? Lá vai …

I have a nightmare.

 

Pra concluir, vou me contradizer na contagem inicial. Há uma terceira mensagem que é onipresente. Seja por conta da possibilidade de cair no trololó ou por não ter ficado claro o objetivo da tranqueira que tem que ser feita, uma característica é – e sempre será – fundamental: adaptabilidade humana, desde que dentro da razoabilidade (princípios, valores). E vosmecê de cabelos grisalhos, já meditou embarcado no trenzinho do caipira? É claro, outro clássico!

 

Registro de provocações nas entrelinhas, mordiscando bem miudinho pra ninguém se zangar:

[1]
Faz tempo a polarização já virou baixaria como se fora torcidas rivais. Não importa um bela partida de futebol (administração pública decente), o que se quer é a vitória a qualquer custo. Gol de mão; se me for favorável, tudo bem. É pura irracionalidade!
[2]
Não se trata tão somente do planejamento; no entanto, não é meu objetivo ficar enchendo o saco. Além do planejamento deve-se pensar no design, implementação, segurança, testes, documentação, implantação, manutenção e encerramento. Cada uma destas etapas com seus desdobramentos, pormenores e necessidades de integração.
[3]
Você sabe qual risco que se corre quando há falha de comunicação no campo de batalha? Fratricídio, ser alvo de fogo amigo.


” A verdade e a mentira têm caminhos diferentes. A primeira começa difícil e acaba fácil. A segunda começa fácil e termina difícil.”  – Pe. Vasconcelos

“Preferimos o conforto da ilusão ao desconforto da verdade. E mais: apressamo-nos em viver … sem saber para onde estamos indo.”

2 comentários

  1. Mario Câmara em 1 de abril de 2026 às 16:02

    Algumas coisas é melhor escrever, dá tempo de balancear com mais cuidado o filigrana da palavra.
    Gostaria de explorar um pouco a diferença entre senso crítico e filtragem. Há pessoas que dizem ser aguçadas no senso crítico mas na verdade praticam uma filtragem daquilo que lhe é agradável aos ouvidos. Se soa alinhado com a sua ideologia (política, religiosa, corporativa, etc) tudo bem; caso contrário, não querem nem saber.
    a) Seja lá o que for feito pelos comparsas, não importa se bom ou mal: tudo bem, pois convém a causa maior.
    b) Agora, seja lá qual for a atitude (boa ou má) do lado adverso; é claro, não interessa pois trata-se de aberração.
    Isto é filtro ideológico, não há o mínimo de senso crítico. De uma vez por todas tenho que entender: nem todo conflito se resolve pelo diálogo (cala-te boca), porque nem sempre o outro pode ou quer ouvir. É o filtro nopass bilateral da comunicação em ação: silêncio!

  2. Mario Câmara em 31 de março de 2026 às 09:10

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