WCD-2026

Gosto é gosto!

Tenho participado pouco destas atividades World Creativity Day[1], uma vez que percebo os assuntos sendo tratados com tamanha superficialidade que acabam pouco corroborando. Justo por esta razão, procuro ser seletivo elencando uma única palestra para assistir por temporada. Nesta feita, estive presente no Anfiteatro-1 da Uniftec para a palestra “Criatividade Aplicada” conduzida pelo professor Marcelo Wasserman . Foi um prazer conhecê-lo!

Bastante interessante reforçar a ideia do que é, e o que talvez não se enquadre como criatividade; elencando o papel da persistência, conexões e arranjos. Ser criativo tem a ver com a observação atenta, necessária para enxergar o óbvio que ninguém vê. Um cinto de utilidades repleto de ferramentas, à la Batman, também pode ajudar; lembrando que o mesmo martelo apropriado para acertar na cabeça do prego, pode ser martelado numa cabeça alheia.

Não foi dito na palestra mas vejo muita preocupação com as ferramentas IA. Sou indiferente a modismos, seja lá qual for o tom de cinza do momento, mas a questão principal é a de sempre: a índole de quem se apropria da ferramenta[2]. Opa, correção, este assunto foi citado – en passant – pelo professor sim, quando falou da tristeza do Santos Dumont com o emprego do avião na guerra. Não era a ideia original. Einstein também sofreu similar flagelo.

Foram várias outras citações interessantes e dignas de notas, as quais omitirei pra não ser prolixo [3]. Até ser aberto espaço para o debate. O bate-papo que havia sido previsto durar os dez minutos finais, se prolongou por mais de 40 minutos, proveitosos. De início assuntos frívolos até pegar tração em dois tópicos: diferenças geracionais e carne impressa (carne artificial).

Cada geração é moldada e se ajusta ao seu espaço-tempo. E com a marcha inexorável do tempo e a ascenção das novas gerações, os sobreviventes e curiosos remanescentes ou se adaptam ou abrem caminho. Daí se começou a falar das maravilhas da carne impre$$a [4] para alimentar 8 bilhões de viventes e meu velho estômago começou a resmungar. Tava rolando na mesa ao lado, dentro da sala de aula, um bolo de cenoura com cobertura de chocolate que parecia um espetáculo. Tive que levantar a mão e perguntar: professor, imagina chegar num restaurante e pedir um vinho requintado acompanhado desta tal de carne impressa?

Gente … pra minha surpresa a bateria de críticas se voltou para o processo fabril da bebida secular que é o vinho. Tudo bem, há excelentes vinhos e outros “marromeno”. Agora, a “criatividade que não é neutra” grita, aponta e pede escrutínio na direção da insossa da carne artificial (nunca vi e nem comi, só ouço falarem). Coincidência ou não, no dia posterior à palestra – 24 de abril – comemora-se o dia do churrasco. Bah!

O que mais se tem hoje em dia, são as tais de intolerâncias alimentares[5] (…) que em alguns casos virou mera desculpa. Pode ser que as gerações futuras percam o paladar para saborear uma bela carne assada e regurgitem ao comê-la. Até lá, lamento informar que abro mão da minha capacidade de adaptação e vou continuar com a minha degustação de vinho no “findi”, com direito as notas de impressões sensoriais, harmonizado com um suculento pedaço de bife de gado, que – quando de pé no campo – dê pum à vontade, seja por trás ou pela frente. 🙏

Nesta empreitada, este forasteiro que subscreve NÃO vai ajudar a voar … estou liberando a pista!

 

Registro de provocações nas entrelinhas, mordiscando bem miudinho pra ninguém se zangar:

[1]
WCD (World Creativity Day – Dia Mundial da Criatividade)
[2]
Tem gente que não tem jeito! A serventia do papel carbono vira meio para obtenção de assinatura falsificada. O grampo de cabelo serve para violar fechadura de porta. Parece que a IA é a prostituta da vez, serve pra qualquer coisa. Queiramos ou não, faz parte da criatividade.
[3]
A cata dos cogumelos, soou meio esquisito, deixa quieto. Já a maniçoba ficou de bom tom. Já comi, sobrevivi 😉 e gostei do prato. Tendo nova oportunidade, repito!
[4]
É extremamente mais rentável “processar” um suposto bife de carne a partir de uma “impressora 3D” do que ter que se submeter ao método tradicional que demanda tempo, clima, pasto, manejo, abate, transporte, condicionamento, refrigeração, etc e etc. “Impresso” é mais escalável e passível de apelar ao maltrato ao animal. Ser alimento nutritivo e saudável, já é outro papo que um marketing agressivo, acachapante e encaixado pode dar um jeito. Como se sabe, tudo depende da perspectiva e, pior ainda, a perspectiva pode ser artificialmente trabalhada. Quer ver?
[5]
Algumas tendências merecem uma avaliação para concluir se trata-se de evolução ou involução. O leite que era considerado um alimento praticamente sagrado, que o Criador se encarregou de colocar embutido nos mamíferos, está se tornando veneno para muita gente. O carboidrato, tão bem representado pelo pão, virou o vilão da vez. Agora as proteínas sintéticas (shakes) estão em alta. Definitivamente, não entendo mais nada! 😭

 


  • “Podemos até passar do ponto, mas a carne NUNCA!”
  • “No fim, viver com lucidez talvez seja aprender a desconfiar SEMPRE de nossas certezas.” – Edmit Saint-Clair

1 comentário

  1. Mario Câmara em 5 de maio de 2026 às 16:40


    IA e o seu descompromisso com a qualidade/lisura da informação. Mas para quem não tem como alcançar de outra forma (pesquisar, estudar e se aprofundar) … é a salvação!? 😇 Enquanto estivermos fazendo o papel de “Magda” perguntando futilidades para IA (esta tal que chamam de ChatGPT), o Brasil não “sai de baixo” dos sete palmos da mediocridade.

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