Startup Weekend – Maker/2026

Do It Yourself (DIY)
Quem me conhece sabe que costumo fazer um rescaldo pós-ação, quando o incêndio de ideias vale a pena perdurar. Na verdade, rescaldo serve para eliminar focos residuais e evitar que o fogo recomece; no caso desta síntese, é justamente o contrário, tenho a pretensão que a chama permaneça acessa, gerando calor, insights e conexões.
Registro minhas impressões sobre o Techstars_ Startup Weekend (TSW) [Maker-CXS/2026] que se realizou em Caxias do Sul – RS, de 3 a 5 Julho. Só teve uma bola fora, ter sido marcado coincidentemente no final de semana do jogo do Brasil na Copa, que fora sobrepujado pela Noruega de Haaland. A programação foi adiantada, satisfazendo a uns gregos (🇧🇷) e dois troianos (🇳🇴). Melhor do que 7!
Voltando ao que interessa, não sou novato no périplo de metas da jornada SW do “Zero ao Hero”, uma vez que esta já é minha terceira participação. Mas quando eu vi tratar-se da vertical MAKER e que se realizaria no IFRS(opens in new tab) que dispõe do espaço FabLab (DIY correndo nas veias); pensei comigo mesmo: é impossível ficar de fora! Imagina … estava liberado e estimulado trabalhar com Arduino, impressão 3D e fazer algo de concreto acontecer. Eu tinha um “curinga” (maTREEz)(opens in new tab)[1] na manga mas não vingou a cartada no evento. Aliás, fiquei aliviado, pois validar esta ideia – fora do padrão convencional – como negócio comercial, acredito que seria uma desgraça[2]. 🤯 Só uma pequena “cereja do bolo”, na fase de entrevistas (Oi … você sofre do problema de esquecer de tomar medicamentos de uso contínuo?), fomos convidados – com toda educação – a nos retirarmos do Shopping São Pellegrino para não importunar os clientes.
É claro, também estava presente a IA. Até então, salvo o caput das pesquisas no Google, servia-me como uma luva o refrão da música do Zeca Pagodinho: “nunca vi, nem comi, eu só ouço falar”. Foi muito interessante ver como se realiza a “programação”[3] orientada por prompt e, ao final, pelo menos pra mim, surpreendeu ver funcionando o sketch sacado da cartola mágica: <faça ligar um led e acionar o buzzer num determinado horário>. O display LCD 16×2 I2C também bombou. A prova de conceito (PoC) do dispenser de remédio deu a luz e choramingou (vingou), mesmo com o esbarrão que deslocou o led do receptáculo. 🫣
Mas … para quem é originário da “escola” que para codar em baixo nível se fazia necessário consultar o datasheet dos componentes, planejar o desenvolvimento num fluxograma, diagrama de blocos e mergulhar nas nuances do código; a experiência foi – digamos – estranha. O filigrama do código fica relegado ao último plano, contanto que gere um resultado que pode até ser “marromeno”, porém na lata. Bem, prefiro outro estilo, mais burilado. Enfim, sem polemizar a cerca da metodologia, performance ou mérito da questão, este parece ser o modus operandi de contornar os problemas atuais. Assimila que dói menos, vamos que vamos no hop-hop!
O mentor Tom(opens in new tab) por conta de um trabalho que teve que desenvolver outrora destacou, durante sua apresentação sobre MVP, a importância de conteúdos teóricos, como as camadas do modelo OSI. Costumo brincar que a Inteligência Artificial é a “oitava” camada, afastando o usuário, ainda mais um degrau, dos princípios elementares e fundamentais do hardware, o que implica em algumas escorregadas homéricas[4]. Também, nesta mesma linha de raciocínio, os PowerPoint, Photoshop, planilhas e – nicho empresarial – ERP/CRM da vida, já deram até a última gota de retorno financeiro. O mercado está tendo que se reinventar do jeito que dá “$” (IA) … mas tá faltando conteúdo de verdade (desde sempre: “entra lixo, sai lixo”). Sério … o curso de pacote Office (camada de aplicação) já entrou, faz tempo, pra seleta prateleira do curso de datilografia; agora, é só ferramenta IA.
A nossa equipe(opens in new tab) de trabalho (HealthTech) foi tudo de bom. O Gabriel Finger(opens in new tab) (pensando na “dor” da avó) foi o idealizador da ideia de desenvolver “algo” para minimizar o esquecimento dos pacientes de tomarem remédio[5]. O Enzo Dal Pizzol foi o nosso entusiasmado, corajoso e eficaz apresentador oficial (Brenda obrigado pelo media training e objetivos slides). Franco Maurente(opens in new tab) foi o cara habilidoso com gráficos e números percentuais, a partir dos formulários; praticamente tirando leite de pedra. Guilherme Brito(opens in new tab) o mago no desenvolvimento do firmware e da aranha de jumpers. Belo trabalho e sim: não faz sentido otimizar rascunho. Vilson(opens in new tab) (Bwolf) foi quem nos salvou na hora da impressão 3D, depois da primeira aposta equivocada. Ainda tinha um App no bolso (plano “C”). E eu(opens in new tab) … só no apoio moral(opens in new tab) e na “merenda”: muito boas as pizzas. Cabe destacar também os demais grupos de trabalhos paralelos (veja bem, não concorrentes): (1) Fone Social; (2) Meowdose; (3) Vigilis – “queda livre”; (4) SW Energy; (5) ChiMia; (6) Phimaticus; (7) HealthTech(opens in new tab).
Parabéns a todos que participaram e as pessoas extremamente dedicadas (facilitadora Mariê Pacheco(opens in new tab), organizadores – incansável Japa(opens in new tab), mentores(opens in new tab), jurados A(opens in new tab) e B(opens in new tab), apoiadores, patrocinadores, anfitriões, …) que fizeram o TSW-Maker-CXS/2026 acontecer com brilhantismo. Vocês foram maravilhosos(as) nesta empreitada!!! 🙏
Sei lá, só pra quebrar a jura e endereçar uma provocação … É ISTO!!!(opens in new tab) Talvez, ISSO!(opens in new tab)
Registro de provocações nas entrelinhas, mordiscando bem miudinho pra ninguém se zangar:
- [1]
- Deixe-me revelar a origem da maTREEz. Este foi o nome que batizei a “arvoré de Natal interativa” depois de ler e reler o artigo(opens in new tab) de Bob Clagett(opens in new tab) publicado no Blog Arduino. Neste artigo há links para vídeos e o código utilizado na experimentação, cujo primeiro contato foi cascudo até chegar na semente do entendimento. Porém, quando eu pensei na quantidade de fio a serem interligados para testar, desanimei. Até visitar com a esposa a Dallas Home&Decor(opens in new tab) e me deparar com um produto natalino denominado Fogos de Artifício com Fitas de LED(opens in new tab). Na intersecção das fitas há um hub ou carrossel que minimiza a parafernália de fios necessários. Na verdade, não para montar uma árvore (3m) mas, talvez, um bonsai (PoC). Sou adepto à frase que diz “nada se cria, tudo se transforma” e a conexão <Árvore de Natal Interativa & Fogos de Artifício com leds> foi transformadora. Somado a isto, veio o SW-Maker/2026, o que me fez resgatar a ideia guardada no fundo da gaveta. Talvez, o jogo estreie(opens in new tab) no Dia da Criança. Depois, para chegar ao MVP – Produto Mínimo Viável, faz-se necessário um “salto quântico”, agregando qualidade, segurança e conformidade técnica(opens in new tab). Muita gente não tem ideia do que se trata homologar/certificar um produto para comercialização. Como cenas para o próximo capítulo, caso haja evolução deste projeto, estarei postando as novidades por aqui.
- [2]
- Será que toda inovação tem por sina resolver uma dor? É inovação ou analgésico? Adoro provocar! Pode ser feito diferente? Não seria possível inovar de modo a trazer um momento de alegria, descontração (passatempo) e, de lambuja, acolherar uma série de habilidades? A árvore maTREEz pode “crescer” no hall de entrada do condomínio, numa quermesse ou num Shopping. Sim … é sazonal!
- [3]
- É interessante observar movimentos simetricamente opostos. Arduino e Raspberry Pi tiveram o intento de reforçar a programação física (raiz), ou seja, aproximar o programador das portas I/O, protocolos de comunicação e dos sensores/atuadores. Por outro lado, é notório como a IA se propõe a suplantar a necessidade de aprofundar nos fundamentos da programação. Bem, cada um com seu senso crítico e livre arbítrio para avaliar o melhor caminho.
- [4]
- Quanto mais se afasta do hardware mais duro é de entender o significado do resistor pullup/pulldown, enxergar um divisor de tensão ou saber calcular o resistor para “casar” com um led. Não é crítica porém constatação, na hora de escolher um tipo de conectividade (como se só existisse 5G), falta discernimento para considerar as implicações no tempo de duração da bateria ou valor da fatura mensal. Mal sabe-se o que é LPWAN ou delay da janela de downstream em LoRaWAN. O bom desenvolvedor atenta aos detalhes(opens in new tab), pois a maior bronca mora lá. Mas devido a enorme pilha de complexidade vê-se, cada vez mais, a esquiva aos detalhes e o desprezo a profundidade do conhecimento. Possivelmente, “the magic smoke will escape!“
- [5]
- Fruto das entrevistas, apesar da amostra insignificante, foi possível capturar um comportamento interessante e natural: as pessoas primam pela própria autonomia. O público da entrevista findou sendo as pessoas mais idosas e, de jeito nenhum, elas se permitiram admitir limitações de memória, visão, locomoção, teimosia ou seja o que for. Então, foi comum ver pessoas se vangloriando de não tomarem medicamentos de uso contínuo; o que se for verdade é muito positivo mas pode também significar puro descuido ou descaso com a saúde. Ou relutância à pesquisa. Minha mãe, por exemplo, se o médico(a) receitar distribuindo a dosagem por três horários ao dia; ela só toma uma dose e ainda retruca: “não vou ficar me entupindo de remédio”. Pronto, contei seu segredo! 🤫
- [#]
- Fotos @lilianegiordano(opens in new tab): https://drive.google.com/drive/folders/1VcUhFXL1XfWPUDFUdM6mf33g_sEVummd(opens in new tab)

“Há dois tipos de pessoas: aquelas que fazem o trabalho e aquelas que ficam com o crédito. Tente estar no primeiro grupo: há menos competição lá.” – Indira Gandhi
“A tecnologia acelera. O cérebro humano – verdadeiramente inteligente – direciona.”