Missão Técnica Sul de Minas

SRS – Vale da Eletrônica

Nas Forças Armadas por término de uma missão operacional ou de treinamento é habitual, pelos corredores, a pergunta: já fez a APA? APA significa análise pós-ação e tem por objetivo registrar os pontos fortes e, mais importante, os pontos passíveis de melhoria para a próxima empreitada. Mas, nesta feita, só vou na parte boa.

De 25 a 29 de maio de 2026, o SEBRAE-RS promoveu um circuito de visitas a algumas instituições situadas em Santa Rita do Sapucaí e Itajubá, contemplando integrantes[1] da quádrupla-hélice do estado RS: Governo, Universidade, Empresas e Sociedade Civil. A diversidade é um potencial somatório, uma vez que ao observar ao sopé de uma íngreme encosta são destacados pontos sob diferentes perspectivas: uma plantação de café, uma torre carregada de radioenlaces UHF, um local de difícil acesso ou um belo mirante de toda cidade. O morro do Santo Cruzeiro é tão dominante da região que ao observá-lo no horizonte, é possível se estimar o local relativo em que você se encontra na cidade de SRS.

Dos cinco dias, dois foram destinados exclusivamente ao deslocamento, como é longe! Restando-nos três dias repletos de atividades as mais diversas e morros a vencer pelo caminho, sendo melhor mostrar uma representação da programação do que tentar a descrever.

 

Submetemo-nos a uma enxurrada de conhecimentos que me fez corar ao reconhecer minha tamanha ignorância. No entanto, as oportunidades de trocas, nem que sejam pelos olhares – sem necessidade de emojis -, ainda foi o de mais valia. O modo de falar manso e suave, com jeitinho mineirês da Luisa pode ligeiramente – num primeiro momento – aparentar passividade, mas o conteúdo e a convicção expressa nas suas palavras foram avassaladores. O Inatel pra mim foi uma lisonja conhecer, apesar da “brincadeira”[2] ao dizerem que havia um certo grau de encenação. Não creio que Huawei e Ericsson desperdiçariam tempo e dinheiro! O Brandão do CTPB com o seu uniforme laranja com faixas refletoras para ser visto à léguas, contrastou ao extremo com a minha antiga veste camuflada. Além do uniforme reluzente, mostrava brilho intenso nos olhos pelo trabalho que faz. Presto-lhe minha melhor continência. O professor Mauricio, diretor da Inovai e motor propulsor da Itajubá HardTech, mostrou-nos que a personalidade forte e colocações corajosas podem coexistir em qualquer ambiente, contanto que haja coerência e lucidez nos objetivos almejados.

O LNA dispõe no seu corpo técnico de uma plêiade de estrelas, no brilhante sentido da palavra; sendo impossível apontar o mais competente e bem-humorado. Não tinha intimidade para ser tão atrevido, mas logo pensei em testar aquela base niveladora plana do “Cacau”, sobrepondo um tampo de mesa de bilhar. ⛳️ O jovem Matheus do SEBRAE-Itajubá nos proporcionou um giro do horizonte do terraço do laboratório, mostrando desde a quadra de tênis (onde conquistou sua maior vitória e derrota), passando pelo pátio da Helibras em que já trabalhou, até o letreiro hollywoodiano da Neurotec. Na feira HardTech-2026 havia uns foguetes da Beyond que me permitiram conhecer um xará (Mario Neto) e trocar figurinhas sobre propelentes, fazendo-me rememorar e conectar ao Laboratório de Ensaios de Jatos Propulsores do CTEx. E para citar os painéis de palestras, destaco o “Case MCTI – promovendo ecossistemas de semicondutores brasileiros”, apresentado por Alessandro Campos. Por conta das fotos que tirei de alguns slides, tenho dever de casa por fazer. Sabe, preciso admitir uma inveja boa da startup Asthon Tecnologia, do Caio e da Vitória pela solução utilizando LoRaWAN, que estagnamos no campo da ideação, sem deslanchar[3].

Fora a riqueza dos contatos regionais, os integrantes do grupo que compunham a missão técnica também foram maravilhosos, em especial no quesito insights. Descobri ou revi joias, tais como: Programa Centelha; empresa CNTec que produz placas de circuito impresso (PCB) ao lado de minha casa; o reforço da importância da integração – ser integrador – em sistemas embarcados; um profissional – prata da UCS – que manda bem na área de semicondutores; e até a promessa de um churrasco de ovelha por parte de uma conterrânea[4], vamos ver!? Aquele fundão da van mostrou-se acalorado e animadíssimo. 🤒 Agora é segredo de estado, por favor mantenham a sete chaves; a deliciosa comida mineira causou-me uns revertérios gasosos. Acho que consegui listar apenas 10% do quanto penso ter aprendido, perdoem-me as outras tantas experiências omitidas.

É claro, ninguém é inocente e sabe-se que o momento de uma visita não é hora de apresentar dores ou lamúrios. Mostram-se os casos de sucesso, cabendo uma boa dose de senso crítico para mensurar o quanto se labutou até chegar naquele ponto; sujeito ainda, a um enorme esforço para se manter a coisa funcional. Este é um ponto interessante, engana-se quem acha que basta seguir uma receita. Portanto, não há fórmula mágica do Vale da Eletrônica ou do Itajubá HardTech; o que há é visão sistêmica, trabalho, persistência, engajamento e coordenação.

Volto pra casa com o seguinte ensinamento para fazer constar na minha APA.

“Se quiser ver as coisas acontecerem:

  • mergulhe fundo mas se livre das suas âncoras;
  • chegue até o substrato, descubra a verdadeira raiz do problema; e
  • comece e continue operando o milagre, advindo da vontade ferrenha!”

 

Registro de provocações nas entrelinhas, mordiscando bem miudinho pra ninguém se zangar:

[1]
Integrantes: João, Luciano, Marcio, Rodrigo, Felipe, Bruno B., Beatriz, Lúcia, Bianca, Juliane, A. Vinícius, Nicolás, Nilton, Elenara, Mario, Celísia, Josiane, Florencia, Gustavo, Joce, Jonas, Vinícius, Patrícia, Bruno S., Clayton, Tales, Selma, Glaciélia, Karine e Luiz. DESTAQUE ESPECIAL para o pessoal do SEBRAE-RS que realizou um planejamento e execução primorosos: Dafne, Naty, Betina e Ricardo.
[2]
Não é só dispor da informação, temos também que estar suceptíveis a recebê-la; de modo a nos permitirmos reorganizar algumas teimosas convicções. Como diz a Neca: julgamos os outros por nós mesmos.
[3]
Aqui eu fico sentido pois houve falta de visão. Também, falta de interesse, pouco comprometimento e pensamento rasteiro. Tecnologia precisa causar impacto para todos, de modo a estimular o uso. Se não, acaba trancafiada no porão até tornar-se obsoleta. No caso dos gateways invisíveis da UCS, minha opinião, puro desperdício de recurso público.
[4]
Sou carioca mas ganhei uma conterrânea em Santiago-RS. A história é completamente sem lenço e nem documento; portanto, melhor não tentar explicar. 🫣


 

“Do not be encumbered by history. Go off and do something wonderful.”

– Robert (Bob) Noyce

1 comentário

  1. Mario Câmara em 13 de junho de 2026 às 10:16

    Agora sim … o resumo oficial SEBRAE da Missão Técnica Sul de Minas.

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