O dono da bola-urna

Mimadinho

Tenho um amigo Coronel – bem mais antigo – que coadunávamos quanto ao gosto de jogar, às vezes, uma partida de futebol de salão, no horário de treinamento físico militar (TFM). Até aí, nada demais, senão em razão da peculiaridade das regras pré-estabelecidas aos participantes da atividade. De antemão, todos sabíamos que diante de um lance mais vigoroso, só seria falta caso fosse favorável ao time do Cel <antigo>, salvo declaração expressa – do mesmo – em contrário. Portanto, estabelecida a regra pétrea e o juiz (precursor do VAR – fidedigno ou não) dentro da quadra, por força da antiguidade, não havia a menor margem para discussões ou brigas no futebol.

Imagina, dentro de um ambiente militar estava tudo certo e, portanto, estávamos todos suficientemente conversados. Até admito que, de maneira geral, simpatizava-me com a regra do jogo, em face da garantia da ordem e hegemonia reinantes. A regra era clara!

Contudo, todavia e não obstante – ainda bem – existem diferentes cenários e realidades, no qual não cabe tal modo de pensar e agir; que, pelo visto, está impregnado na cabeça do nosso atual mandatário no Planalto Central. Caramba, temos um ““estadista”” alucinado em salvar um correligionário – “bobo da corte queridinho do Rei” – que só faz merda, como se não houvesse mais nada pra se preocupar.

Pera aí seu idiota (se bem conheço a turma, estou sujeito a este revés carinhoso) … trava-se uma luta árdua para garantir a (minha, sua e nossa) liberdade de expressão! Quem dera, gostaria muito de merecer tal reprimenda, se a motivação fosse, de fato, tão nobre e elevada. Mas… “camaradas”, o buraco é bem mais embaixo.

Considero legítimo e compreensível ter asco por algumas decisões/atitudes emanadas por togados do STF, agora a instituição Supremo Tribunal Federal é indelével e inexpugnável. Até concordo haver alguns ministros da Suprema Corte que ostentam togas, as quais não serviriam nem para serem usadas como pano de chão, pelo cheiro de podre que exalam (palavras do Presidente do Clube Militar); se bem que não acredito que possa se resolver a situação, adotando como critério precípuo a indicação de “apadrinhados” terrivelmente evangélicos. Olha o nível de incoerência para seleção, sob o aspecto moral, ético e de respeitabilidade funcional,  sem contar o padrão medíocre de estratégia política a que chegamos.

Exmo. Sr. Presidente mimado (tarado por um “tapetão”), em razão do Poder Judiciário ter a crista inquebrantável – (i) seja por ser inalcançável pelo orçamento secreto, (ii) incapacidade de obter de maneira tempestiva a maioria de cupinchas* na Corte, ou (iii) indiferença dos magistrados à rechaça popular por inocuidade ao voto – fico no aguardo para ver até que ponto V. Exa. apelará e se rebaixará para fazer valer sua vontade soberana. O tempo urge e é bom correr com os decretos, acirrar as afrontas e caprichar nas caneladas; caso queira encerrar em tempo hábil o jogo democrático e colocar a urna debaixo do braço.

Gostemos ou não (pelo menos, no meu tempo de milico era assim), é sempre bom considerar que estamos todos sujeitos à conviver e obedecer as regras: o STF é o fiel da balança de um regime democrático, que só se sustenta com independência e harmonia entre os poderes. O que a sociedade (os de boa fé) clama, válido para as mais altas patentes de TODAS as instituições, é pela dignidade, honestidade e IMPARCIALIDADE dos investidos por tão honrosos cargos públicos. Acorda BRASIL!

(*) é essa a leitura do Bolsonaro e seus asseclas. Eu diria que “o bom julgador por si julga os outros”, mas é melhor deixar quieto.  Quero crer que a incompreensão e até indignação que tenho por conta de algumas decisões do STF deve-se a minha ignorância jurídica e, portanto, in dubio pro reo.

 

 

 

“Sou adepto a ideia de que ficar sempre alerta é necessário, mas radicalismo por radicalismo, só atrapalha.”

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